Alinne Moraes: aproveitando as oportunidades concretas

Alinne Moraes avalia personagem de "Rock Story", e diz que ainda não sei se ela vai aprontar muito e nem o que tem coragem de fazer


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Alinne Moraes interpretou sua primeira vilã de novela em “Duas Caras”, na pele da psicopata Maria Silvia

Por trás da beleza marcante, Alinne Moraes sustenta um discurso tranquilo. E parece não se preocupar muito com o que ainda está por vir. Pelo menos, quando o assunto é trabalho. É que ela prefere sempre focar suas atenções para a personagem atual. No caso, a Diana, de “Rock Story”.

Por isso, definitivamente, sonhar com determinado perfil de papel é algo que não faz parte de sua rotina. Talvez esse jeito calmo de encarar a profissão hoje em dia tenha a ver com a rotina atribulada e cheia de responsabilidades que Alinne passou a levar desde cedo, quando começou a trabalhar como modelo, aos 12 anos. Foi quando ela teve a chance de viajar para capitais internacionais da moda como Tóquio, Paris, Nova Iorque e Milão.

A carreira de atriz começou um pouco depois, em 2002, na novela “Coração de Estudante”. De lá para cá, Aline acumulou personagens importantes e protagonistas em tramas como “Viver a Vida”, “O Astro” e “Além do Tempo”, entre outras. “Já me sinto muito realizada. Se eu morresse hoje, já teria feito tudo que pude no meu máximo. Por isso que eu acho que tudo que vem na minha vida é lucro, é só para acrescentar”, ressalta.

O que mais chamou sua atenção em relação à sua personagem em “Rock Story”?
A Diana tem um pouco de tudo. Ela é engraçada, é solar. Mesmo começando na novela em uma fase mais caída por estar se separando, a personagem tem muitas coisas positivas e é muito humana também. Não sei se mais para frente vou ter a vilã que eu tanto queria. Até o capítulo 30, é uma personagem incrível, multifacetada, misteriosa, cheia de sentimentos, verdadeira e muito clara.

Mas você torce para que a Diana se revele uma vilã na novela?
Eu não gosto de ficar no meio do muro. Ou vou para lá ou para cá. Estou esperando isso. Se ela se mostrar uma vilã, estou pronta. O que está escrito não me aponta se é uma vilã ou não e eu sou muito coerente. E, como atriz, a gente sempre se coloca no lugar da personagem. Como a separação da Diana e do Gui (Vladimir Brichta) é apresentada no começo, acho que todo mundo vai conseguir caminhar junto e entender direitinho quem é a personagem. Mas eu vou descobrir mais com o tempo do que ela é capaz de fazer por amor.

Na história, Diana começa a se relacionar com Léo Régis (Rafael Vitti), um rapaz bem mais novo que ela, e passa a ser chamada de “papo anjo”. Esta é a primeira vez que você protagoniza uma situação como essa na ficção?
Sim. Estou com 33 anos e fiz uma personagem que era uma noviça de 20 anos, tendo o primeiro namorado, em “Além do Tempo”. E agora faço, pela primeira vez, uma senhora já de 36 anos, com filha e tudo mais. A primeira personagem de novela que eu fiz com 17 anos era mãe solteira, então já fiz algumas mães. Mas assim, com uma diferença de idade em relação ao namorado, é a primeira vez.

Revista L – BC.1
Liberal Motors – BC

O Rafael Vitti, aliás, chegou a declarar que nutria uma paixão platônica por você na adolescência. Vocês chegaram a conversar sobre isso antes de começarem as gravações de “Rock Story”?
Conversamos sobre isso, mas isso é muito comum. Quando eu fiz “Coração de Estudante”, por exemplo, o Fábio Assunção era o nosso Brad Pitt. Eu tinha 17 anos e não conseguia contracenar com ele que minhas pernas tremiam. Acho que essa fábrica de glamour, de celebridade, causa um certo distanciamento das pessoas. As pessoas acreditam que a gente é diferente, que não come, que não tem uma vida normal. E isso é o mercado que produz. Mas eu sou tão normal como qualquer um.

Na trama, Diana é diretora de uma gravadora. Você também visitou a Som Livre junto com parte do elenco de “Rock Story”?
Meu marido é músico. Sempre estou escutando muita música em casa e tenho muitos amigos que cantam. Vou para estúdios de gravação com amigos, isso faz um pouco parte da minha vida. Então, não precisei ir para nenhum estúdio por causa da novela e nem para a gravadora.

Protagonistas e personagens de destaque são uma constante na sua carreira. O que a motiva a aguentar a rotina intensa de trabalho?
Quando você faz uma personagem grande, trabalha todos os dias, 16 horas por dia. E quando chega em casa, tem de decorar o texto do dia seguinte. É uma jornada em que sobram 4 horas para dormir, às vezes, em determinados picos da novela. Mas eu gosto muito, então essas horas passam rápido.

Antes de “Além do Tempo”, você estava há cerca de quatro anos sem fazer novela. É uma escolha sua não emendar trabalhos em um curto intervalo de tempo?
Quando eu terminei de fazer a Luciana, em “Viver A Vida”, fiquei quase cinco anos sem fazer novela e isso foi uma coisa pensada. Na época, eu estava reservada para dali a dois anos para uma novela do Maneco, mas engravidei e fiquei bastante tempo longe. Acho que é o ideal porque você pode partir de uma tela branca de novo e começar um novo trabalho sem muitos vícios. Isso é necessário.

Como assim?
Acho que todo artista precisa respirar um pouco para fazer um trabalho diferente. As novelas ainda são muito longas, duram seis, oito meses. Com a pré-produção, soma um ano de trabalho no mesmo papel. Você vive a vida do personagem muito mais intensamente que a sua própria. Acho até que isso não é uma coisa muito positiva para o trabalho. A gente começa a ficar muito viciado, além de ser cansativo para a cabeça e para o corpo. Essa pausa é necessária.

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Mesmo começando na novela em uma fase mais caída por estar se separando, a personagem tem muitas coisas positivas

Uma fórmula do sucesso
Alinne Moraes está atenta às mudanças que envolvem o meio televisivo. E percebe que, com a internet, é preciso um esforço a mais para conquistar telespectadores para as novelas. “O público não tem mais muita paciência, ele já sabe onde vai levar uma cena, conhece todos os truques do autor e do ator”, avalia. Para a atriz, o elemento surpresa pode ajudar uma trama a se tornar atrativa. Coisa que, segundo ela, “Rock Story” tem de sobra. “Essa novela não é plenamente de comédia como muitas do horário foram. É muito atual, tem um pouco de tudo, é jovem, tem música. Acho que ela é, sim, comercial, dentro de tudo que se propõe, e surpreende muito. Você acha que ela vai para um caminho e é surpreendido”, destaca.

Todo ator precisa ser desapegado em relação à própria aparência. Dependendo do personagem que interpreta, ele precisa se submeter a grandes mudanças de visual. Mas, com 14 anos de carreira na televisão, Alinne já está acostumada com essa possibilidade. Para viver a Diana, no entanto, não foi preciso nenhuma transformação brusca. A equipe de caracterização apenas acrescentou um pouco mais de cabelo ao que a atriz já tinha e clareou as pontas. “Acho que a maior mudança em mim é a interna mesmo”, conclui.