Trio Virgulino e Maria Fulô tocam na Virada de SP

Artistas de Pernambuco, mas que escolheram o interior como o lar, falam sobre a oportunidade de apresentar forró no palco do evento paulistano


Neste fim de semana, o estado de São Paulo será repleto de “Viradas”. Além das edições itinerantes da Virada Cultural Paulista, que ocorrem em diversos municípios, inclusive em Santa Bárbara d’Oeste, a Prefeitura da capital promove 24 horas ininterruptas de programação por vários pontos da cidade. Na Praça do Patriarca, será instalado o palco de forró, que conta com duas atrações que são pernambucanas, porém americanenses de coração: o Trio Virgulino, e a cantora Maria Fulô. Os artistas Enok e Adelmo Virgulino vieram junto a Maria Fulô aos estúdios da rádio VOCÊ (AM 580) na última quarta-feira (17), para dar entrevista ao LIBERAL sobre a participação deles no grande evento paulistano.

“O Trio Virgulino estará presente lá, às 18h, no encerramento. E Maria Fulô também vai! Ela faz show às 14h também do domingo (21)”, celebra Enok. A cantora e sanfoneira representa a nova geração do forró, mas não deixa de lado a tradição no seu repertório. Já o Trio Virgulino apresenta sucessos da carreira, que já acumula mais de três décadas e começou aqui em Americana, nos estúdios da Rádio Clube de Americana, hoje Rádio VOCÊ, do Grupo Liberal de Comunicação.

Foto: João Carlos Nascimento_O Liberal
Trio Virgulino nos estúdios da Rádio VOCÊ, nesta quarta-feira

“A Virada Cultural será uma honra para mim, porque será a primeira vez que participo. Quando fui ver a programação e vi ‘Maria Fulô’, e com encerramento do Trio Virgulino, tive uma surpresa muito grande”, comemora a artista. “Todos nós aqui somos de Pernambuco, e por coincidência agora estamos em Americana! Então é uma ‘supercoincidência’”, releva. Os artistas definem o encontro de Maria Fulô com o Trio Virgulino, que hoje dividem os palcos em diversos eventos, como uma “história da vida”. “A gente se conheceu em São Paulo, quando ela ainda tocava no grupo Xote das Meninas. Daí ela voltou para o Recife e a gente continuou se comunicando pela internet, até que ela veio para cá”, lembra Adelmo.

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“Quando eu era um pouco mais nova, vim para São Paulo, comecei a tocar acordeom e me juntei a banda Xote das Meninas. Aí o Trio Virgulino sugeriu que eu aderisse ao nome artístico Maria Fulô”, conta a artista. “Acabei voltando para São Paulo há pouco tempo, para divulgar meu trabalho individual, e me encantei por Americana e ‘tô’ aqui até hoje!”, comemora Maria. Adelmo ainda celebra a criação dos diversos grupos de forró da nova geração, principalmente os universitários, que são herança do pé de serra, dos quais eles são considerados líderes atualmente.

Entre uma conversa e outra, os músicos não deixaram de cantar sucessos da carreira. No repertório, foi incluído “Xote da Saudade”. “Essa música foi ‘o seguinte’: estávamos em uma excursão com Elba Ramalho, fazendo o São João, e um homem veio e me entregou uma música que ele queria que a Elba gravasse. Aí ela não gravou a música, mas o Trio Virgulino gravou, e chamamos a Elba para participar do nosso registro do mesmo jeito! Não teve para onde ela fugir”, revela Enok, com bom humor.

Adelmo ainda aproveitou para falar sobre seu disco individual, um sonho da carreira, que homenageia diversos artistas do forró, como Dominguinhos, o mestre acordeonista Camarão, e até a cantora de axé Ivete Sangalo. “Foi uma música que fiz para ela, mas nunca tive coragem de enviá-la. Chama ‘Meu Planeta’, que agora estou cantando, e é a faixa que dá nome ao meu CD”, observa. No trabalho, ele é acompanhado pelos músicos “da família” Daniela Virgulino Dantas, na zabumba e triângulo, e Rafael Virgulino na sanfona. Ainda há participações dos artistas Bruno Pietro, Sérgio Kina, João Libório, Francisco Nascimento e Eva Leoni.

Dois Dobrado leva forró para a Europa

Na última quarta-feira, enquanto o sanfoneiro Enok Virgulino tocava na rádio VOCÊ (AM 580), seu filho e empresário, Jonas Virgulino Dantas, estava em turnê pela Europa com o seu grupo Dois Dobrado, em atividade desde 2013. “Eles chegaram na França hoje, vão ficar por lá mais três semanas! Jonas Virgulino toca sanfona também, e de lá ele ‘toca e assovia’, pois toca e vende os shows também!”, brinca o pai, orgulhoso da carreira do herdeiro. “É assim, você descansa e carrega pedra. Todo dia é um problema novo? Então você descansa e resolve os problemas que aparecerem. Não pode parar!”, completa Enok.

No ano passado, o grupo tocou no festival “Forró in May”, em Munique, na Alemanha, e com isso conquistou público do País e das nações vizinhas que assistiam ao evento. “Foi um grande sucesso, e devido a isso recebemos o convite para voltar a Europa e passar mais tempo aqui. A nossa experiência anterior foi incrível, porque pensávamos que iríamos tocar para os brasileiros que moram lá, mas na verdade a maioria do público eram os estrangeiros”, contou o músico Jonas Virgulino, em entrevista ao LIBERAL.

A banda visa manter a essência de Luiz Gonzaga, mas de forma moderna. No ano passado, lançaram o primeiro álbum, “Vamos Todo Mundo Pro Forró”, com 11 faixas autorais. O single “Vou Te Namorar” conquistou mais de 100 mil visualizações. Este ano, eles apresentaram ao público o single “Vivendo Bem”, no último mês de fevereiro. Além de Jonas Virgulino, a banda é composta por Jorge Silva, Marcelo Lima e Will Santos.