‘Anjos da Noite’, ‘O Filho Eterno’ e ‘Sangue do Meu Sangue’ estão entre estreias

Grande nome do cinema político, o italiano Marco Bellocchio usa o fantástico para fazer metáfora do poder em Sangue do…


Grande nome do cinema político, o italiano Marco Bellocchio usa o fantástico para fazer metáfora do poder em Sangue do Meu Sangue. Não é o melhor Bellocchio, mas tem sua marca. As demais estreias da quinta-feira, 1º, trazem programas bem diversos – ação com Kate Beckinsale no novo Anjos da Noite, o drama de um pai que rejeita o filho com Síndrome de Down (O Filho Eterno) e uma crônica das mudanças em Cuba centrada na relação entre pai machista e filho gay (Viva). Os dois últimos fazem interessantes observações humanas e sociais. Para quem for conferir, poderão ser belas surpresas.

Anjos da Noite – Guerras de Sangue

Underworld – Blood Wars, EUA/2015, 91 min. Ação. Dir. Anna Foerster. Com Theo James, Kate Beckinsale e Bradley James.

Bela, sexy e talentosa, Kate Beckinsale retorna à série que estrelou em 2003 – há 13 anos. Quando vampiros e lobisomens reiniciam a guerra, só uma guerreira – vampira – respeitada por ambos os lados pode tentar colocar fim à carnificina. Pode não representar muito – há que conferir -, mas é a primeira vez que a série é dirigida por uma mulher. Haverá diferença? Kate, de qualquer maneira, é garantia de boa ação. Ela era a melhor coisa de O Aviador, de Martin Scorsese, mas, ao invés de sua Ava Gardner, a Academia preferiu premiar a Katharine Hepburn de Cate Blanchett. 12 anos.

As Aventuras de Robinson Crusoe

Robinson Crusoe, EUA/2015, 90 min. Animação. Dir. Vincent Kesteloot, Ben Stassen.

Revista L – BC.1
Liberal Motors – BC

O cinema contou muitas vezes a história do náufrago do livro de Daniel Defoe. Esta versão, além de animada, faz do papagaio seu protagonista. Terça-Feira sonha conhecer o mundo – no livro há outro humano, Sexta-Feira. Robinson Crusoe talvez seja sua chance de transformar o sonho em realidade. E, por isso, o papagaio ajuda o homem que chegou meio morto à sua ilha. Livre.

O Filho Eterno

Brasil/2016, 82 min. Drama. Dir. Paulo Machline. Com Marcos Veras, Débora Falabella, Pedro Vinícius.

O livro de Cristóvão Tezza ganhou um monte de prêmios. O filme passou em branco no Festival do Rio, e foi injusto. Merecia pelo menos o prêmio de melhor ator para Marcos Veras. Ele faz o pai de um menino com Síndrome de Down. Embora seja escritor, e em princípio um artista, um homem de sensibilidade, seu primeiro movimento é negar a cria. Quem viu o filme no Rio deve rever. Só eliminando o excesso de música o diretor já conseguiu dar outra cara ao filme, e à história. David Schurmann devia seguir o exemplo em Pequeno Segredo. 10 anos.

Galinha Pintadinha Mini na Telona

Brasil/2016, 50 min. Animação. Dir. Marcos Luporini, Juliano Prado.

A série infantil virou sucesso entre os baixinhos (e baixinhas) com suas histórias, atividades e canções. A novidade é o design reformulado da Galinha e sua turma. Mas é programa para crianças mmmmessssmmmo. Livre.

Mundos Opostos
Enas Allos Kosmos, Grécia/2016, 135 min. Drama. Dir. Christoforos Papakaliatis. Com Andrea Osvart, Maria Kavogianni, J. K. Simmons.

Três narrativas independentes mostram a relação entre gregos e estrangeiros, tendo como pano de fundo a crise econômica que devastou o país. 10 anos.

Ninguém Deseja a Noite

Nadie Quiere La Noche, Espanha/2015, 104 min. Drama. Dir. Isabel Coixet. Com Juliette Binoche, Rinko Kikuchi, Gabriel Byrne.

Embora a espanhola Coixet seja uma autora de prestígio no circuito dos festivais, seu longa que inaugurou a Berlinale do ano passado foi (é) umas decepção. Ela acompanha a aventura no Ártico de Josephine Peary, uma mulher da alta sociedade que, em 1908, viajou para o Polo Norte atrás do marido explorador. Há um triângulo com uma nativa, mas que não chega a esquentar o relato. 14 anos.

Sangue do Meu Sangue

Sangue del Mio Sangue, Itália-França-Suíça/2015, 107 min. Drama. Dir. Marco Bellocchio. Com Roberto Herlitzka, Piergiorgio Bellocchio Jr., Alba Rohrwacher.
Homenageado da Mostra deste ano, o italiano Bellocchio esteve em São Paulo para receber o prêmio Leon Cakoff e ministrar uma master class. Ele também criou o cartaz do evento, transformado numa bela vinheta. Grande Bellocchio! Seu nome virou sinônimo de cinema político, e por isso talvez surpreenda um pouco o elemento fantástico desse filme. Uma história de vampiros? No século 17, Federico Mai chega a monastério com uma difícil missão. Garantir que seu irmão gêmeo – um padre suicida – seja enterrado em solo sagrado. A questão é – por que ele matou? Que pecados pavorosos o impulsionaram ao gesto? A chave pode estar na irmã Benedetta, mas a freira não está aberta para conversas. Veja de olhos bem abertos – Bellocchio arma metáfora para discutir o poder. Livre.

O Último Virgem

Brasil/2015, 82 min. Comédia. Dir. Rilson Baco, Felipe Bretas. Com Guilherme Prates, Bianca Arantes, Fiorella Mattheis.

Alvo de bullying dos colegas por ainda ser virgem, o adolescente Dudu treme nas bases ao ter aulas de reforço com professora sexy. Bullying, abuso. Os temas são fortes, a origem é uma peça de teatro. E aí – vai encarar? 14 anos.

Viva

Cuba-Irlanda/2015, 100 min. Drama. Dir. Paddy Breathnach. Com Hector Medina Valdez, Jorge Perugorría, Luiz Alberto Garcia.

Garoto cubano – com o sugestivo nome de Jesus – está prestes a realizar o sonho de participar de um espetáculo de transformistas. É quando surge o pai, machista de carteirinha e ex-boxeador que ficou preso 15 anos. Mesmo sendo só meio cubano, o filme tenta dar conta das mudanças na ilha. O fato de chegar aos cinemas logo após a morte do lendário Fidel ajuda a incrementar o interesse. 16 anos.