Para realizar sonho de casar, jovem vende artesanato em praça de Sumaré

Desempregada desde 2015, jovem de 21 anos tenta arrecadar R$ 6 mil para se casar em novembro deste ano


A data está marcada: 15 de novembro de 2017. É neste dia que a jovem Kelly Scarllet Rodrigues Costa, de 21 anos, vai realizar seu sonho de se casar vestindo branco. Para isso, no entanto, ela vive a cansativa missão de vender artesanatos produzidos por ela mesma em uma esquina da Praça da República, no Centro de Sumaré, a ideia que teve para arrecadar dinheiro para o casamento.

Entre os pedestres, desde outubro do ano passado, ela chama a atenção com uma placa pendurada no pescoço com os dizeres: “me ajude a casar”, explicando sua presença. Além da data, ela diz já ter o mais importante, o desejo e, é claro, um noivo, Bruno Fachini, de 25 anos, de quem era amiga de infância.

Foto: Leon Botão / O Liberal
Jovem contou que já conseguiu arrecadar R$ 1,5 mil por mês vendendo colares e apanhadores de sonhos

Eles namoram há 2 anos e meio. Em 2015, no entanto, ela ficou sem emprego, e isso dificultou a situação financeira para conseguirem se casar. Após ver uma reportagem sobre um casal que vendia água no semáforo vestido de noivos, Kelly teve a ideia de fazer algo semelhante.

“Aprendi a fazer esse artesanato para poder vender na rua, para pagar o casamento, fotógrafo, decoração. A minha meta é não fazer um casamento caro, vai ser bem simples”, conta. “É uma coisa minha, meu sonho é casar de noiva, mas não aquela coisa glamurosa. Quero mais simples, mais do meu estilo, mais ‘riponga’, mais ao ar livre, sou amante da natureza”, contou a jovem.

Ela estima que o casamento ficará R$ 6 mil, e alguns dos itens já foram pagos com o dinheiro dos artesanatos. Ela vende os chamados “filtros dos sonhos”, objeto de tradição indígena que, na crença, tem a função de filtrar os pesadelos, além de colares de pedras, entre outros produtos, que custam de R$ 5 a R$ 30.

Foto: Leon Botão / O Liberal
Jovem vende os artesanatos em uma esquina da Praça da República, no Centro de Sumaré
Kelly vende os produtos pelo menos três dias por semana no Centro de Sumaré. Nos outros dias, fica em casa para produzir mais. “Cada item que eu faço, eu dedico um carinho meu, dedico amor. É um artesanato que eu gosto. [O casamento] vai ser especial pelo fato de sair do meu próprio suor”, disse a artesã.

Antes de ficar desempregada, a jovem trabalhava no setor administrativo e financeiro de uma empresa. “Quando eu estava empregada, trabalhava dentro de um escritório, mexendo no computador, mas enquanto eu não consigo alguma coisa, descobri minha nova paixão aqui”, afirmou. Quando conseguir um novo emprego, ela pretende manter o artesanato como renda extra.

Trabalhando na rua há cerca de três meses, Kelly contou que conseguiu arrecadar cerca de R$ 1,5 mil por mês, além de presentes de desconhecidos, que viram sua ação e se ofereceram para pagar pelo buffet, cabeleireiro e cerimonial. Diante de tudo isso, ela considera o trabalho na rua como um aprendizado.
“Eu gosto muito de ficar na rua, o pessoal é receptivo. Tem aqueles que fazem brincadeiras, tipo ‘casa comigo’, ou ‘não casa não, é besteira’. Eu acho que, não é porque o casamento das pessoas deu errado, que o meu vai dar também”, disse.

A nova família de Kelly já tem endereço: Sumaré. A lua de mel também: Vale Nevado, no Chile (outro presente de casamento). Os filhos, no entanto, ainda são dúvida. “Nem pensar por enquanto, talvez daqui uns 10 anos”, concluiu Kelly.

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