Hospital Estadual deixa de fazer neurocirurgias eletivas

Unidade de saúde em Sumaré realizava, em média, entre 40 e 50 procedimentos por ano e só prioriza os casos de emergência


O Hospital Estadual de Sumaré Dr. Leandro Franceschini deixou de realizar, nos últimos três anos, neurocirurgias eletivas. A unidade de saúde “fechou as portas” em fevereiro de 2014 para esse tipo de procedimento por conta do aumento na procura por urgência, que sobrecarregou as equipes.

Desde então, entre 120 e 150 cirurgias eletivas deixaram de ser realizadas, dando lugar a casos de emergência. Dentre os fatores que explicam o aumento na demanda está a crise econômica e a interrupção desses procedimentos em outras unidades de saúde da região.

As neurocirurgias são traumas na coluna que demandam o atendimento em duas frentes – ortopédica e neurológica. Os casos que deixaram de ser atendidos no Hospital Estadual são aqueles que não apresentam o fator de urgência, ou seja, as cirurgias agendadas de coluna. Em média, eram realizadas entre 40 e 50 procedimentos desse tipo por ano.

Foto: Arquivo / O Liberal
Hospital Estadual de Sumaré resolveu dar atenção maior para as emergências

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, houve um aumento geral na demanda por atendimentos de urgência em todas especialidades na casa dos 25% nos últimos dois anos. Por conta disso, a proporção entre eletivas e emergências acabou se invertendo. Se há cinco anos atrás 40% das cirurgias feitas eram urgentes hoje esse percentual gira em torno dos 60%.

Um dos fatores que explicam o aumento na procura é o crescimento no desemprego e a consequente diminuição na população que possui um convênio médico, lotando as recepções do sistema público de saúde de maneira geral. Além disso, as neurocirurgias deixaram de ser realizadas em outras unidades de saúde da região.

Atualmente, apenas o Hospital Estadual e o Hospital das Clínicas da Unicamp realizam esse procedimento. As opções para encaminhamentos são São Paulo, Sorocaba, Limeira, Itu e Ribeirão Preto. Mesmo com o aumento em todas as 255 especialidades médicas oferecidas no Hospital Estadual de Sumaré, a assessoria de imprensa garante que o tempo médio para agendamentos de eletivas é em torno de seis meses.

A reportagem questionou a Secretaria Estadual de Saúde sobre projetos para atender ao aumento na demanda da rede pública. A assessoria da pasta, contudo, apontou apenas que cabe aos municípios avaliar os encaminhamentos de cirurgias eletivas.

Notícias sobre a região, Brasil e o mundo em um clique. Receba nossa newsletter