Comissão incentiva negociações entre Flaskô e CPFL Paulista

A fábrica ocupada de Sumaré está sem energia desde o último dia 30, quando a CPFL Paulista suspendeu o fornecimento, alegando falta de pagamento


A Flaskô, fábrica ocupada de Sumaré, está sem energia elétrica desde o dia 30 de março, quando a CPFL Paulista suspendeu o fornecimento, alegando falta de pagamento. Nesta quarta-feira (19), às 19h, haverá uma audiência pública na Câmara dos Vereadores de Sumaré, convocada pela Comissão de Assuntos Relevantes em Defesa dos Direitos Humanos, com o objetivo de incentivar negociações.

Com a fábrica paralisada, o prejuízo ultrapassa a marca de R$ 400 mil, de acordo com Alexandre Mandl, advogado dos trabalhadores da Flaskô. Ele explicou que o corte da energia sem comunicação prévia pode ter danificado as máquinas e poderia ter causado um acidente, e que a interrupção na produção gera um cenário dramático, em que os trabalhadores se perguntam se haverá o religamento e se a as atividades poderão continuar. Não é a primeira vez que a fábrica tem a energia cortada; em julho do ano passado a CPFL interrompeu o fornecimento por 9h, e reestabeleceu após protesto e negociação.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Após abandono da Flaskô, trabalhadores ocuparam a fábrica e vila foi formada

Segundo Mandl, a Flaskô e a CPFL Paulista vivem em negociação desde o final do ano passado, com dois acordos em andamento e pagamentos em dia. Ele explicou, no entanto, que uma proposta que previa o acerto das contas do mês referentes ao período entre agosto de 2016 e março deste ano estava para ser concretizada com a empresa, com diretrizes apontadas por ela. Na data em que este terceiro acordo seria acertado, porém, a CPFL cancelou a reunião.

“O que a gente verifica é uma mudança na postura da CPFL, que desconsidera todo o histórico de negociações e, inclusive, que os trabalhadores já realizaram o pagamento de dívidas que estavam para trás. E agora ela modifica a sua posição e tenta diretamente fechar uma fábrica que tem um profundo caráter social, reconhecido nacionalmente e internacionalmente”, disse Mandl.

“A nossa intenção ao fazer essa audiência pública nesta quarta-feira, como Comissão de Direitos Humanos, é trazer a CPFL para dentro da Câmara, e a gente tentar ser intermediadores para poder ajudar os trabalhadores da fábrica Flaskô”, comunicou o vereador William Souza (PT), responsável pela convocação da audiência. De acordo com ele, o evento terá representantes dos trabalhadores da fábrica que também vão apresentar um histórico sobre a ocupação. “Caso não haja sucesso, a comissão vai tirar prerrogativas para intermediar em instâncias superiores a CPFL, na tentativa de ajudar os trabalhadores”, afirmou.

Procurada, a assessoria de imprensa da CPFL Paulista informou que “não existe nenhuma proposta viável de pagamentos das dívidas, referentes ao fornecimento de energia elétrica da indústria Flaskô”. A empresa, porém, informou ainda que atenderá ao convite realizado pela comissão e enviará representantes para participarem da reunião.