Justiça absolve jovem acusado de participar de ‘sequestro da Mega’

Juiz Thiago Mendes Leite do Canto proferiu sentença afirmando que não há provas suficientes do envolvimento para embasamento de uma condenação


O jovem Thalis Augusto de Oliveira, de 20 anos, preso acusado de participar do sequestro da mãe do ganhador do prêmio de 111,5 milhões da Mega-Sena, foi absolvido nesta quinta-feira (18) pela Justiça de Santa Bárbara d’Oeste por falta de provas. Ele estava preso no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Americana, onde aguardava desde dezembro o julgamento.

Na última quarta (17), o advogado Jorge da Silva, que defende Thalis, pediu a revogação da prisão preventiva após o Ministério Público pedir a absolvição do jovem por falta de provas.

De acordo com o processo, no fim do ano passado, a vítima do sequestro, uma idosa de 66 anos, havia reconhecido Thalis como um dos responsáveis pelo seu arrebatamento. Já em uma audiência realizada neste mês, a vítima declarou que um dos sequestradores tinha uma cicatriz no rosto. Thalis, entretanto, não tem marcas no rosto.

Liberal Motors – BC

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Sequestro teria tido a participação de pelo menos cinco pessoas

Na sentença proferida nesta quinta, o juiz Thiago Mendes Leite do Canto, da 2ª Vara Criminal de Santa Bárbara, argumenta que não há provas suficientes para uma condenação, e adotou o princípio de que, em dúvida, deve se beneficiar o réu.

“Tais circunstâncias enfraquecem o reconhecimento feito pela vítima e colocam em dúvida se realmente o réu praticou o crime que lhe é imputado, especialmente porque o reconhecimento é a única prova produzida nos autos que indica isso”, conclui o juiz.

Segundo informações do advogado de defesa, Jorge da Silva, o alvará de soltura foi expedido no fim da tarde desta quinta e Thalis deverá ser solto do CDP ainda nesta sexta-feira (19).

Crime

O sequestro teria tido a participação de pelo menos cinco pessoas. Thalis teria sido um dos responsáveis por render a idosa na casa dela, no bairro Residencial Furlan, em Santa Bárbara. Após o arrebatamento, a vítima foi levada para um cativeiro em uma chácara em Limeira. No mesmo dia, ela conseguiu fugir pulando o muro da chácara e pediu ajuda a vizinhos.

Dias depois do crime, dois suspeitos, pai e filho, foram presos acusados de participação no sequestro. Mais tarde, as investigações chegaram até Thalis, que foi reconhecido pela vítima como sendo o responsável por abordá-la na casa junto com um quinto suspeito.

“Embora a vítima, em audiência, tenha reconhecido o acusado como sendo um dos autores do delito e que, em regra, a palavra da vítima seja suficiente à condenação, no caso específico dos autos em epígrafe, a solução deve ser outra”, argumenta a promotora. “Há dúvida relevante acerca de sua participação nos crimes em tela”, defendeu o Ministério Público no pedido de absolvição.