RPT registra um novo caso de Aids a cada dois dias

Cidades de Americana e Sumaré aparecem liderando a estatística deste ano, entre janeiro e novembro, com 57 pacientes cada


A cada dois dias, uma pessoa é identificada como portadora do vírus HIV na RPT (Região do Polo Têxtil). Entre janeiro e novembro, as cinco cidades contabilizaram 191 novos casos. Nesta quinta-feira (1º) é lembrado o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, e para especialistas, a falta de políticas públicas e de medidas enérgicas de combate à transmissão fizeram, nos últimos cinco anos, com que o Brasil deixasse de ser referência no enfrentamento ao vírus.

De acordo com os dados divulgados pelas Secretarias de Saúde, Americana e Sumaré aparecem liderando a estatística deste ano, com 57 novos casos cada uma. Santa Bárbara d’Oeste aparece em segundo lugar, com 37 pacientes diagnosticados com o vírus desde o início do ano, mesmo número de Hortolândia. Já Nova Odessa é a cidade que teve menos casos identificados desde janeiro, com três exames positivos para a doença.

O coordenador-executivo da Abia (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids), Salvador Corrêa, explicou que o vírus tem uma circulação transitória, afetando diferentes grupos ao longo dos anos, dependendo de sua vulnerabilidade. Atualmente, a Abia apontou que os mais suscetíveis à infecção são jovens, sejam eles hetero ou homossexuais.

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Comportamento da sociedade mudou muito e mais casos da doença estão aparecendo

“Algumas pessoas afirmam que o jovem perdeu o medo, mas é uma visão simplista e que não atende à complexidade da epidemia. O comportamento mudou muito e a sociedade não conseguiu inserir a prevenção nesses novos processos que cercam a vida do jovem”.

Corrêa criticou a falta de políticas públicas voltadas à prevenção e citou o veto do governo federal a duas campanhas publicitária já confeccionadas voltadas para prostitutas e jovens gays. “Infelizmente, o Brasil deixou de ser referência internacional na resposta à epidemia de HIV/Aids. Precisamos resgatar a perspectiva dos direitos humanos no enfrentamento e valorizar a diversidade brasileira”, defendeu.

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Coordenadora do Amdah/CTA (Ambulatório de Aids de Hortolância/Centro de Testagem e Aconselhamento), Ana Denadai Schimidt apontou que o enfrentamento à Aids deve passar pelo chamado “mandala da prevenção”.

“É preciso incentivar o uso da camisinha, apostar em campanhas que estimulem o teste rápido da Aids, fortalecer o vínculo do paciente com a unidade de tratamento após o diagnóstico, oferecer a profilaxia pós-exposição de risco e tratar das outras doenças sexualmente transmissíveis, que são entradas para o HIV”, afirmou.

40% das grávidas descobrem HIV durante pré-natal

A Secretaria de Saúde de Americana realiza um acompanhamento com todas as gestantes em que houve a identificação do HIV. De acordo com dados divulgados pela pasta, das 81 mulheres soropositivos que ficaram grávidas entre 2002 e 2014, 40% delas descobriram que estavam infectadas durante o pré-natal.

Foto: Freeimages.com
40% das mulheres soropositivos grávidas descobrem o HIV durante pré-natal

Cerca de 90% dessas pacientes fizeram o tratamento durante a gravidez ou após o parto para evitar infecção da criança.

Segundo essa base de dados da Secretaria de Saúde, o último caso em Americana de um bebê infectado pelo vírus através da transmissão vertical, ou seja, de mãe para filho, ocorreu em 2009.

Atualmente, cinco crianças seguem em acompanhamento pela pasta para confirmação de que não apresentarão a infecção. A assistência é feita até que o bebê complete 18 meses e, após isso, é realizado um retorno anual.

“Às vezes a camisinha falha e as pessoas ficam desesperadas. É importante saber que existem outras formas de prevenção, como a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), que funciona como uma espécie de pílula do dia seguinte em que é preciso tomar o medicamento por 28 dias”, explicou o coordenador-executivo da Abia (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids), Salvador Corrêa.

“Hoje em dia há estudos com a PPE (Profilaxia Pré-Exposição), que é tomada antes da relação sexual, como se fosse um anticoncepcional, para evitar a transmissão. Estudos apontam que tem uma eficácia de até 99%”.