Roubo de cargas na RPT bate recorde em 2017

É a primeira vez, desde 2002, que a quantidade de roubos de carga registrados ultrapassa a marca dos 200 casos


Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Malha viária da região, que inclui a Anhanguera, é fator para ocorrências

A RPT (Região do Polo Têxtil) registrou no ano passado o maior número de ocorrências de roubo de carga desde 2002, ano do início da série histórica da SSP (Secretaria Estadual da Segurança Pública). De acordo com a pasta, foram 202 casos entre janeiro e novembro de 2017. Metade dos casos se concentra em Sumaré.

É a primeira vez, desde 2002, que a quantidade de roubos de carga registrados ultrapassa a marca dos 200 casos. Até então, o maior número de ocorrências do delito já registrado em um ano na região havia sido em 2014 – na época, foram 197 casos no ano.

“A incidência dessa modalidade de crime não para de crescer no país. Nossa previsão é de que uma vez feito os investimentos corretos em segurança pública, a tendência é que esse tipo de crime comece a diminuir dentro de um ano e meio a dois anos”, estima Carlos Guimar Fonseca Junior, gerente de segurança da ICTS, empresa especializada em consultoria, auditoria e serviços em gestão de riscos.

De dois anos para cá, as quadrilhas especializadas em roubos de cargas deixaram de ter como foco apenas cigarros, eletroeletrônicos e produtos como defensivos agrícolas.

De acordo com especialistas, por conta do desemprego e do mercado ruim, tem ocorrido roubo de mercadorias até então nunca antes alvo, como carne e laticínios.

“Os ladrões de carga agem focando dois tipos de produtos: os de alto valor agregado que não têm ressarcibilidade, por exemplo, componentes eletroeletrônicos; e os que têm condições de fazer uma desova rápida, como de higiene, alimentos e bebidas”, afirmou o presidente do Sindicamp (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Campinas e Região), José Alberto Panzan.

Em dezembro, um homem de 46 anos e um jovem de 24 anos foram presos em Sumaré depois de roubarem 1,2 mil quilos de muçarela, avaliadas em aproximadamente R$ 20 mil.

Aliada a fatores sociais e econômicos, a incidência do delito na região também está relacionada à malha viária local, que tem dois dos principais corredores viários do país – as rodovias Anhanguera (SP-330) e dos Bandeirantes (SP-348).

“Na Região Metropolitana de Campinas tivemos um aumento muito grande de roubo de carga porque é uma região cercada por rodovias. Normalmente, os motoristas vítimas aqui da nossa região são abandonados em Jundiaí, Itupeva, Jaguariúna”, declarou Panzan.

De acordo com o gerente de segurança, são poucos os lugares, no país, que têm uma polícia especializada para combater esse tipo de crime.

“A tendência inicial do roubo de carga foi atingir as grandes metrópoles porque por ali passavam uma grande quantidade de cargas. Com isso, o crime organizado passou a investir nesse tipo de delito, aumentando mais o risco”, disse Carlos.

SOLUÇÕES. O fortalecimento das polícias e penas mais pesadas para receptadores e revendedores de cargas são algumas das saídas apontadas por especialistas em segurança para frear esse tipo de crime.

“Um dos grandes problemas é correr apenas atrás de quem rouba e não pegar quem vende, no caso, os receptadores”, declarou o analista de risco do Instituto Arc, Nelson Ricardo Fernandes da Silva. Para o analista, uma boa solução é associações lojistas e de outras áreas ou até o próprio governo pedirem a série de mercadoria roubada e divulgar essa informação na internet.

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