Rombo da Previdência cresce 11% na região

Para especialistas, déficit é resultado de aposentadorias “gordas”, falta de emprego e também salários menores


Um dos principais argumentos do governo Michel Temer para tentar justificar a polêmica reforma da Previdência – que tramita na Câmara – o déficit entre a arrecadação e despesa do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) no Brasil bateu recorde em 2016, e no âmbito da RPT (Região do Polo Têxtil), não foi diferente: o “rombo” foi 11% maior que o registrado em 2015. Para especialistas o déficit é resultado de aposentadorias “gordas”, desemprego e salários menores.

Conforme dados do INSS, o déficit da previdência na região em 2016 foi de R$ 1,4 bilhão, ante R$ 1,2 bilhão em 2015. O “rombo” só não foi maior porque pela primeira vez a arrecadação teve aumento significativo de 20%, chegando à casa de R$ 1,1 bilhão. Entretanto, subiu também a despesa, chegando a R$ 2,5 bilhões, crescimento de 17%. Americana fica no topo da lista das cinco cidades com um déficit de R$ 595 milhões, quase metade do “rombo” de toda a RPT

O “rombo” regional contribui para o déficit no país, que atingiu em 2016 a casa dos R$ 149,7 bilhões, valor equivalente a 2,4% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil. Diante desse cenário, é que se tenta aprovar a reforma da previdência. Mesmo defendida por governistas, pelo menos para a oposição e especialistas ouvidos pelo LIBERAL, o que a reforma prevê não resolverá.

Para o professor de economia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), de Araraquara, Vladimir Pires, os números de 2016 são reflexos do desemprego crescente nos últimos anos. Ele acredita, inclusive, que a reforma Trabalhista recém-implantada no país, pode agravar a situação.

“A massa salarial caiu, justamente pela redução do número de pessoas que recebem salário, que é o desemprego, e também pelo valor menor dos salários oferecidos. E agora com a reforma Trabalhista, a propensão é maior para trabalhos informais”, explicou. Pires defende que a questão da previdência pode ser melhorada com empregos formais e crescimento econômico.

Na mesma linha vai o professor de economia da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Francisco Crócomo, que defendeu uma reforma tributária antes. “Eu sou crítico pela forma que é feita essa reforma. Falta transparência”, indicou.

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