Região atrai haitianos para vagas de emprego formais

Estudo da Unicamp, divulgado no início deste mês, revela o fluxo de estrangeiros no Estado e nos cinco municípios que formam a Região do Polo Têxtil


Já na foto de seu contato no WhatsApp, o haitiano Magloire Labady, de 39 anos, resume a tendência do cenário atual dos imigrantes de seu país na região. Uniforme, roupa social, mesa de escritório: trata-se de um dos 582 trabalhadores formais do Haiti que vivem na RPT (Região do Polo Têxtil), conforme levantamento apresentado pelo Atlas Temático Observatório das Migrações, desenvolvido pelo Nepo (Núcleo de Estudos da População) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

O estudo revela o fluxo atual dos imigrantes em todo o Estado, e aponta que os tempos atuais são de estrangeiros em trabalhos formais.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Labady, que já domina o idioma português, ajuda a família no Haiti com o salário que recebe no cartório de Nova Odessa

Entre 2000 e 2015, segundo o Atlas, foram registrados no Brasil 870.926 imigrantes vindos dos mais diversos países do mundo. Destes, 367.436 foram registrados no Estado de São Paulo. Na região, historicamente, era comum a presença de bolivianos, que acabam submetidos a trabalhos informais e que violavam direitos. Desde 2010, após o terremoto no Haiti, começou a crescer a imigração dos haitianos, que hoje são maioria na RPT.

Documentos

Mais do que traçar número de imigrantes, o atlas identificou que nos últimos anos, tem melhorado a situação desses estrangeiros, que hoje conseguem romper a barreira do serviço informal porque estão obtendo documentação para viver no país.

“Esse mapa mostra a formalização e a contribuição dessas pessoas com a sociedade. Estão quebrando o paradigma do imigrante como um problema”, explicou a pesquisadora responsável pelo atlas, Rosana Baeninger. A professora explicou que esse aumento na formalização tem relação com o passar do tempo. “São os que pretendem ficar, já estudaram, fizeram curso técnico, entraram na universidade.

Porque a história dos haitianos teve fases. Primeiro, a comoção por causa do terremoto e depois havia emprego pra todo mundo. Com a crise, aumenta a discriminação porque disputam vagas, mas isso vai se acomodando. A gente está caminhando para que a sociedade olhe para a migração como algo que contribui”, afirmou.

Labady vive em Nova Odessa há pouco mais de 3 anos, trabalha em um cartório e cursa faculdade de Letras em Sumaré. “Vim para trabalhar numa metalúrgica, mas não podia continuar, não aguentava o pó de lá. Então, me mandaram embora e fui trabalhar na rodoviária como encanador. Depois, fui para o cartório. Agora melhorou”, contou. Com o que ganha, ele ajuda pai, irmãos e sobrinhos no Haiti, mas não faz planos de voltar.

 

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