Plano privado de saúde tem cobertura acima da média em Americana

Operadora e presidente da Associação Comercial e Industrial de Americana atribuem amplitude de convênio particular à tradição de plano corporativo


O número de beneficiários de planos privados de saúde em Americana supera metade da população. A proporção é muito superior que a das outras cidades da RPT (Região do Polo Têxtil), do Estado e do País. Segundo uma operadora de saúde e a Acia (Associação Comercial e Industrial de Americana), o alto índice se deve à tradição de empresas pagarem convênios de saúde a funcionários e até a suas famílias, algo que não é comum em outros municípios.

De acordo com os dados mais recentes da ANS (Agência Nacional de Saúde), de setembro de 2017, Americana tem 121.415 beneficiários de planos particulares. A população da cidade em 2017 foi estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 233.868 pessoas. O número de beneficiários representa, portanto, 51,62% da população local. Um morador pode ter mais de um plano de saúde, por isso não é possível afirmar que cada beneficiário é uma pessoa diferente.

Foto: Arquivo - O Liberal
Praticamente todas [empresas] oferecem planos de saúde para os funcionários. Quanto mais benefícios, mais ela é disputada”
Nas cidades vizinhas da RPT, a participação de beneficiários de convênios entre o total da população é mais modesta (veja na tabela). Mesmo em comparação com cidades conhecidas por renda elevada e qualidade de vida, Americana está à frente. É o caso de Indaiatuba, que tem 239.602 moradores e 95.604 convênios (39,9% da população). No Estado, a proporção é de 38,3%, e no País, bem menor: 22,6%.

Para Patrícia Candia, gerente de Marketing e Negócios da Unimed Americana, Santa Bárbara d’Oeste e Nova Odessa, os planos corporativos explicam os números. “Algumas cidades que a gente visita, as empresas não dão planos de saúde. Às vezes, eles [os municípios] têm mais pessoas físicas”, diz.

Hoje, só a Unimed tem cerca de 100 mil beneficiários nos três municípios, diz Patrícia. Destes, 70 mil são de planos pagos por empresas. Segundo ela, muitas companhias locais pagam os convênios até para dependentes, o que é um diferencial da cidade, diz. De acordo com a gerente, o alto número de clientes não afeta o atendimento.

O presidente da Acia, Dimas Zulian, endossa o discurso. “Praticamente todas [empresas] oferecem planos de saúde para os funcionários. A política de RH das empresas caminha para isso, quanto mais benefícios, mais, digamos assim, ela é disputada”, comenta.

A auxiliar administrativo Aline de Rossi, de 27 anos, tem convênio médico pago pela empresa e diz que toda sua família também conta com cobertura particular. “Sogro, sogra, marido”, conta.

REFLEXOS. O alto número de usuários na rede privada não desafoga a rede pública, principalmente na área de urgência e emergência.

A avaliação é do secretário de Saúde de Americana, Gleberson Miano. “Muitos usuários de planos particulares também utilizavam e ainda utilizam o SUS. Além disso, devido a esta característica, o município sempre suportou um grande fluxo de pacientes oriundos de outros municípios”, explica o secretário.

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