Novas drogas sintéticas já circulam pela região

Fentanil e butilona têm sido usadas principalmente por jovens das classes média e alta, segundo o Centro de Controle de Intoxicações


Duas novas drogas sintéticas estão circulando na região de Campinas, acendendo o alerta do CCI (Centro de Controle de Intoxicações), da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). As substâncias, identificadas como fentanil e butilona, usualmente são encontradas em pequenas quantidades, sendo consumidas por jovens de classe média e alta.

Sua circulação foi identificada nos últimos seis meses e pelo menos um morador da Região do Polo Têxtil teve seu quadro de saúde acompanhado pela Unicamp após consumir a droga. O fentanil é utilizado em ambiente hospitalar, possuindo efeitos semelhantes a morfina, porém, com 50 vezes mais potência. Traficantes começaram a vender drogas em formato de selos – semelhantes ao do LSD – contendo essa substância. O fentanil provocou a morte do cantor Prince, em abril deste ano.

Foto: Edimilson Montalti / Divulgação
Nova droga estimula o sistema nervoso central, assim como a anfetamina

Já a butilona é uma substância de uso ilícito no Brasil. Ela estimula o sistema nervoso central, produzindo efeitos semelhantes aos provocados pela cocaína e anfetamina. De acordo com o CCI, foram atendidos seis casos de intoxicação por essas drogas em apenas uma semana do mês de agosto – um deles, de um jovem de 23 anos de Santa Bárbara, que ficou internado em na UTI (Unidade Terapia Intensiva) em Americana após ter uma parada cardiorrespiratória.

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“Pelo que sabemos, estes são os primeiros relatos de casos de intoxicações causadas pelo uso abusivo de fentanil e butilona na região de Campinas. Não temos dados estatísticos, mas é sabido que o público que mais consome este tipo de drogas são os jovens, principalmente em festas de música eletrônica ou raves. Isso tem nos deixado em alerta”, explicou o farmacêutico bioquímico e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp, José Luiz da Costa.

Na avaliação do perito-chefe do Instituto de Criminalística de Americana e diretor do Núcleo de Campinas, Edvaldo Messias Barros, a principal preocupação são os efeitos dessas drogas no organismo, que ainda estão sendo estudados. “Riscos específicos ainda não podemos dizer porque são novas e estão em fase de pesquisa, mas é preocupante. Pode surgir um efeito muito devastador. Estão aparecendo agora essas substâncias, que antes não eram muito ventiladas. O pessoal começou a se deparar com algumas situações mais ou menos de seis meses para cá. Por serem novas, ainda não há dados estatísticos, mas são drogas que aparecem mais em classe média e alta”, disse ele.