Morador de Americana é detido após se passar por médico

Jovem não é formado em medicina e utilizava o nome, receituário e o registro do CRM de outro profissional do hospital para realizar consultas


Um morador de Americana, de 19 anos, foi detido na manhã desta terça-feira após se passar por médico no HC (Hospital das Clínicas) da Unicamp, em Campinas. O jovem não é formado em medicina e utilizava o nome, receituário e o registro do CRM (Conselho Regional de Medicina) de outro profissional do hospital para realizar consultas e entregar receituários a pacientes. Ele teria atuado na instituição por duas semanas. A Polícia Civil abriu inquérito. O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) informou que também vai apurar o caso.

Na manhã desta terça-feira, um segurança da Unicamp ligou para a Polícia Militar informando sobre um possível falso médico que atuaria na unidade. De acordo com ele, a suspeita surgiu quando durante um plantão o jovem – identificado como Vitor Sabino Nunes – se recusou a fazer massagem em um paciente com parada cardíaca. Na ocasião, ele teria alegado que estava com dores no braço e que não conseguiria fazer o procedimento.

Ao chegar no local, nesta terça-feira, uma equipe da PM conversou com o diretor da unidade de Emergência Referenciada do HC, Marcos Roberto. O médico informou que suspeitava da forma de atuação do suposto funcionário, que já teria trabalhado como estagiário em pelo menos dez plantões no centro cirúrgico.

Foto: Polícia Militar / Divulgação
Vitor Nunes utilizava o receituário de outro médico

Os policiais militares foram até o alojamento dos médicos e detiveram o jovem, que estava com uniforme do centro cirúrgico. Ele permaneceu em silêncio, segundo a PM.

A ocorrência foi apresentada no 7° Distrito Policial de Campinas, registrada como falsidade ideológica. Morador do bairro Antônio Zanaga, em Americana, o rapaz seria ex-estudante de uma faculdade de fisioterapia de Campinas. Ele foi ouvido e liberado. O LIBERAL não conseguiu localizar nem o jovem nem advogados que o representariam nesta terça-feira.

INVESTIGAÇÃO. A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar como o suspeito teve acesso ao carimbo e registro de outro médico. Por enquanto, segundo a polícia, ainda não foram identificados pacientes atendidos pelo falso médico. Se condenado, o jovem poderá cumprir pena em regime fechado de um a cinco anos.

Ao LIBERAL, a conselheira responsável pela delegacia do Cremesp em Campinas, Silvia Helena Rondina Mateus, confirmou que o órgão também investigará o caso. “Já pedimos para abrir sindicância”, afirmou nesta terça.

Por meio da assessoria de imprensa, o HC confirmou que a detenção ocorreu após a equipe de profissionais da Urgência desconfiarem do comportamento do falso médico. “Após checagens internas foi confirmada a falsidade e acionada as autoridades policiais que realizaram o flagrante. O HC da Unicamp está à disposição das autoridades responsáveis para os devidos esclarecimentos, além dos prestados hoje na delegacia”, afirmou, em nota.

REPÚDIO. No fim de outubro, o Cremesp divulgou uma nota em que repudia o exercício ilegal da profissão. Na ocasião, o conselho comentava um caso de uma falsa médica confessa que prestou serviços na Santa Casa de Ibirá, no interior de São Paulo.

“Deve-se destacar a responsabilidade dos gestores e responsáveis técnicos na contratação e controle dos profissionais prestadores de serviços e contratados pela unidade”, trouxe nota postada no site do conselho.

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