Hortolândia é a 26ª em queda de raios em São Paulo

Aglomerados urbanos contribuem para o aumento de tempestades, que provocam prejuízo bilionário ao País


Foto: Arquivo / O Liberal
Hortolândia lidera no número de casos na RPT, vindo a seguir Sumaré e depois Americana

Hortolândia é o município da RPT (Região do Polo Têxtil) onde acontece a maior incidência de raios. A densidade – 10,48 por quilômetro quadrado ao ano – coloca a cidade na 26ª colocação entre todas as do Estado de São Paulo. No mesmo levantamento, divulgado pelo Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica) do Inpe (instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Sumaré aparece na 35ª colocação, Americana na 37ª, Nova Odessa na 49ª e Santa Bárbara na 101ª.

Os dados recentes são mais precisos que os anteriores (divulgados em 2002), graças a uma metodologia que permite o registro dos raios em tempo real por meio de imagens de satélite. Os novos equipamentos da rede BrasilDAT permitirão, em cinco anos, o mapeamento da incidência de descargas no País com uma resolução entre 2 e 3 km. “Poderemos saber em quais bairros de uma cidade ocorrem mais raios”, diz o pesquisador Osmar Pinto Júnior, do Elat.

O município paulista com maior densidade de raios é São Caetano do Sul, com 19,72 por quilômetro quadrado ao ano. Segundo o próprio órgão, o superadensamento justifica os índices mais altos nas regiões metropolitanas (como é o caso da Grande São Paulo e da RMC).

As ondas de calor criadas nos grandes centros urbanos em função das superfícies artificiais (asfalto), a dificuldade de reirradiação (causada pela concentração de prédios), a falta de vegetação e a poluição atmosférica, no caso, contribuem para o aumento das tempestades.

Mas há casos em que a incidência de raios não tem ligação alguma com a superconcentração urbana. A pequena Santa Maria das Barreiras, no Pará, por exemplo, é a cidade brasileira com a maior densidade de raios (44,32 por quilômetro quadrado ao ano). É mais que o dobro da incidência registrada pela primeira colocada no ranking paulista. Para os pesquisadores da Elat, uma combinação de fatores contribui para o fenômeno: a proximidade do Rio Araguaia (rios favorecem o aumento de umidade e a formação de tempestades), a localização geográfica em relação às correntes de ar úmido e quente que chegam da Amazônia em direção ao leste.

É fato, no entanto, que a incidência de raios nos aglomerados urbanos provoca mais prejuízos. As descargas elétricas são responsáveis por 70% dos desligamentos das linhas de transmissão de energia elétrica. Estima-se que os raios provoquem prejuízos da ordem de R$ 1 bilhão à rede.

Os dados disponibilizados pelo centro de pesquisa servem para orientar o poder público em ações preventivas. A Prefeitura de Hortolândia, por meio da Defesa Civil, fará uma campanha de orientação nas escolas públicas do município, distribuindo material informativo com orientações e cuidados para se proteger dos raios.

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