Estado oferece linha para trem intercidades

Para incentivar implantação do projeto com a participação de empresas privadas, governo estadual pretende conceder trecho da CPTM


O trem intercidades – que em sua primeira etapa pretende resgatar o transporte de passageiros entre Americana e São Paulo – caminha efetivamente para sair do papel. Com o objetivo de atrair a participação de empresas privadas ao projeto, o governo paulista quer disponibilizar, ao futuro parceiro, a administração da linha férrea de passageiros que hoje funciona entre as cidades de São Paulo e Jundiaí.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) oficializou o pedido ao governo federal para que ceda o domínio de vias férreas do interior, para que faixas cedidas atualmente às operadoras de carga permitam a operação conjunta com o trem de passageiros.

Hoje, os 60 quilômetros de linha entre São Paulo e Jundiaí são explorados pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), estatal responsável pelo transporte de passageiros na Grande São Paulo. Nada menos que 400 mil passageiros viajam pelo trecho ao longo do ano.

Foto: Arquivo / O Liberal
Diariamente 60 mil pessoas poderão utilizar o trem nos 135 quilômetros que vão até São Paulo

A empresa que vencer a licitação para operar o trem intercidades, no caso, terá direito de explorar a linha da CPTM. A empresa vai ter fôlego garantido para assumir as despesas do trem intercidades.

A estratégia foi detalhada nesta semana pelo deputado federal Vanderlei Macris (PSDB) que, ao lado do secretário dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, Clodoaldo Pelissioni, esteve em Brasília e detalhou para representantes do governo federal o projeto que prevê a interligação ferroviária entre as regiões de Campinas, Vale do Paraíba, Sorocaba, Baixada Santista e Grande São Paulo.

Histórico

O trecho entre Americana e São Paulo, orçado em R$ 5,4 bilhões, será o primeiro a ser licitado. Estima-se que 60 mil pessoas, diariamente, possam se utilizar do trem nos 135 quilômetros entre as duas cidades.

O governo federal se mostra entusiasmado com o projeto. Henrique Pinto, secretário de articulação política pública; e Tarcísio Gomes de Freitas, secretário de coordenação de projetos, assistiram atentamente à exposição do projeto.

“A gente entende o projeto como uma oportunidade histórica”, afirmou Henrique Pinto. O deputado Macris, em entrevista exclusiva ao LIBERAL, afirmou que o trecho Americana-São Paulo representa o começo de um projeto muito maior, de “retomada do transporte férreo no interior”.

Próxima etapa. Ficou definido que uma nova reunião será marcada para o debate do “compartilhamento” da linha férrea entre São Paulo e Americana.

De acordo com o deputado Macris, a operadora MRS (que administra a malha férrea para o transporte de cargas) será informada sobre o acordo necessário para administração da malha em parceria com a empresa que transportar passageiros, o que na prática já acontece entre São Paulo-Jundiaí. O deputado não consegue esconder o entusiasmo. “Notei hoje que o trem intercidades também começou a fazer parte da agenda prioritária de Brasília”, afirmou.

Ligação será entre regiões desenvolvidas

O trem intercidades prevê a ligação entre as regiões de Campinas, Vale do Paraíba, Baixada Santista, Sorocaba e Grande São Paulo, com composições que alcançam velocidade de 160 quilômetros por hora.

O fato de a RMC contar com o Aeroporto Internacional de Viracopos, segundo o secretário Pelissioni, também serve de atrativo para empresários interessados em investir.

Outro fator que privilegia investimentos no trecho é a existência de estações preservadas e funcionais, além das linhas já em operação, o que vai exigir despesas menores com desapropriações ou obras e engenharia. Para efetivamente funcionar, a malha precisa apenas ganhar vias paralelas, de forma que trens de carga e trens de passageiros possam circular no mesmo horário.

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