Cenário hídrico é pior que o anterior à crise de 2014

Situação requer atenção, e pode ser agravada caso o primeiro trimestre não seja de chuvas volumosas, segundo o Consórcio das Bacias PCJ


Levantamento de dados de vazão do Sistema Cantareira e também do volume de chuvas na região – realizado pela equipe técnica do Consórcio das Bacias PCJ (Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) – mostram que o cenário hídrico atual é pior que o registrado em 2013, o ano que antecedeu a mais severa crise hídrica da série histórica, em 2014. A situação requer atenção, segundo o órgão, e pode ser agravada caso o primeiro trimestre não seja de chuvas volumosas, já que está prevista a ocorrência do fenômeno La Niña, em abril, que pode afugentar as precipitações.

O estudo divulgado nesta quarta-feira revelou que o volume de água que chegou aos reservatórios do Cantareira durante o ano de 2017 foi de 273 metros cúbicos por segundo no total, um valor que fica abaixo dos 310 verificados no ano de 2013, antes da pior crise hídrica da série histórica. Essa diminuição da vazão no Sistema tem relação direta com a tendência de queda também no volume de chuva.

Foto: Arquivo - O Liberal
Volume de água que chegou aos reservatórios do Cantareira durante o ano de 2017 foi menor que o verificado em 2013

As chuvas na Bacia PCJ começaram a diminuir em 2012, quando o acumulado já ficou abaixo da média histórica. A sequência negativa se intensificou em 2013 e depois em 2014. A retomada só ocorreu em 2015 e depois em 2016 – mas ainda abaixo da média. Em 2017, entretanto, em vez de avanço ou manutenção, o volume de chuvas tornou a cair. Curva semelhante foi registrada em relação às chuvas no Sistema Cantareira.

ALERTA. De acordo com o secretário-executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz, os números devem deixar a região em alerta para buscar alternativas de prevenção. “Estamos compartilhando a análise sobre os dados com diversos organismos. Não queremos nenhum alarmismo, mas estamos dizendo: os números estão muito próximos, e já tivemos uma experiência não muito agradável, impactante, em 2014. Se a crise não acontecer, com certeza as medidas ajudarão a garantir a segurança hídrica em 2019”, afirmou.

Apesar de complicada, a crise de 2014 teve pontos positivos, segundo Lahóz, uma vez que diversos municípios adotaram medidas de segurança hídrica, como a construção de reservatórios, e também foi promovido na época o consumo consciente dos recursos. Isso pode ajudar em caso de nova crise, segundo o secretário.

Esses itens, entretanto, para que uma possível nova crise seja enfrentada, precisarão estar alinhados à construção de mais reservatórios, como os de Amparo e Pedreira, e, é claro, às chuvas volumosas.

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