Bolsa Família deixa 4 mil de fora na RPT

Quatro mil famílias pobres “extras” teriam direito ao benefício na RPT, mas não o recebem por ineficiência na gestão


Três municípios da RPT (Região do Polo Têxtil) – Americana, Nova Odessa e Sumaré – estão abaixo da meta de atendimento estabelecida pelo Ministério do Desenvolvimento Social no que diz respeito ao Bolsa Família. Ou seja, eles não conseguem garantir o pagamento do benefício a todas as famílias que, segundo o censo demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), se encontram na faixa da pobreza.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Homem descansa junto a material reciclável na Favela do Zincão, em Americana; município é um dos três onde a meta ainda não foi atingida

O programa federal ajudou a tirar da extrema pobreza 12.645 famílias que residem na região. São núcleos familiares onde a renda mensal de cada pessoa não passava dos R$ 85 mensais. Hoje, 21.269 famílias da microrregião são beneficiárias do programa federal. Mas o número de favorecidos poderia ser maior. Em Americana, segundo relatório da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania, a cobertura é de 79,54% das famílias pobres. Em Sumaré, é de 72,73%, e em Nova Odessa, de apenas 53,78%. Em números absolutos, isso quer dizer que 4.425 famílias pobres teriam direito aos repasses, mas não o recebem.

PÚBLICO-ALVO. Os dados divulgados no final de julho mostram que Santa Bárbara está muito próxima da meta, atendendo 75% das famílias pobres. E só Hortolândia, dentro da RPT, que consegue atender à totalidade do público-alvo. São 8.364 famílias beneficiadas.

Diante do quadro, o governo federal aconselha que as prefeituras aprimorem, entre outras coisas, as ações de busca ativa para localizar famílias que ainda não foram cadastradas. O recebimento dos recursos depende da inscrição da família em uma central de dados única que, além da renda, leva em consideração o acesso às redes públicas de Saúde e Educação. O acesso da família a estes serviços essenciais é condicionante para o recebimento dos benefícios.

O desempenho da RPT nestes quesitos varia de razoável a muito bom. Mas há exceções na Saúde. Hortolândia conseguiu acompanhar, desde janeiro, o atendimento de apenas 57,26% das famílias cadastradas. Americana foi pior ainda: apenas 53,12%. A média nacional na Saúde é de 72,76%.

Foto: Rogérgio Verzignasse - O Liberal
Daiane Silva, que reside em Americana há cerca de 5 anos, posa ao lado de 2 dos seus 3 filhos

‘Dinheiro importante’, ressalta beneficiária

Daiane Pereira da Silva, de 28 anos, chegou do Piauí há 5 com o marido Walmair e os três filhos pequenos. O começo em Americana foi muito difícil. Sem emprego, o rapaz se oferecia para trabalhar como servente em construções. E a família contou com a ajuda do programa federal Bolsa Família para colocar comida na mesa. “Era uma rendinha pequena. Nem R$ 200 por mês. Mas foi muito importante. Salvou a nossa vida”, garante a dona de casa. Desde o ano passado, conta, quando o marido conseguiu um emprego fixo, ganhando um salário mínimo por mês, a família deixou de receber o benefício. O salário de Walmair, porém, vai quase todo para pagar o aluguel de quase R$ 800, no Jardim dos Lírios. Mas ela não se queixa. “Vamos procurar um aluguel mais barato. Ficou bem apertado, mas o Walmair tem trabalho e não vai faltar comida”, garante ela.

A Prefeitura de Americana reconhece que ainda é deficiente a busca ativa por famílias que podem se beneficiar dos repasses do Bolsa Família. A estratégia, segundo o secretário de Ação Social e Defesa da Cidadania, Walter Veneciano, é capacitar as equipes dos cinco CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) para fazer o trabalho de busca ativa.

Além disso, a prefeitura vai contar com a ajuda estratégica do Tiro de Guerra. Os atiradores vão percorrer a cidade, de porta em porta, distribuindo folhetos com informações simplificadas para que o cidadão tenha acesso a benefícios sociais que ele nem conhece. “Nossa intenção é, até o final do ano, é chegar ao maior número possível de famílias beneficiadas”, afirma o titular da pasta.

Hortolândia é a única cidade da Região do Polo Têxtil que tem todas as famílias em situação de pobreza incluídas no Bolsa Família. Mas a Administração moderniza o sistema, para que nenhum beneficiado perca o direito ao rendimento. Em janeiro ,começou a ser implantada a política de gerenciamento descentralizado do Cadastro Único.

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