Baixa em doações cancela transplantes em hospital

HC, da Unicamp, deixou de fazer oito cirurgias por falta bolsas de sangue no início deste ano


Foto: Divulgação - HC Unicamp
Hospital das Clínicas, da Unicamp, em Campinas é referência em atendimento de pacientes para cidades da RPT

A queda nas doações de sangue para o Hemocentro da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) fez com que transplantes de órgãos precisassem ser cancelados no início deste ano. O Hospital das Clínicas, que é referência para cidades da RPT (Região do Polo Têxtil), depende do estoque de bolsas de sangue para poder realizar as cirurgias.

Períodos próximos a feriados e férias sazonalmente registram uma diminuição nas doações, mas este ano a situação está mais crítica. Segundo o Hemocentro, as doações de sangue caíram 25% em relação ao mesmo período do ano passado.

Coordenadora dos Transplantes Hepáticos do Hospital das Clínicas, Ilka Boin diz que desde o dia 31 de dezembro, oito cirurgias de transplante de fígado precisaram ser canceladas por conta da falta de bolsas de sangue. Os órgãos disponíveis para doação foram imediatamente transferidos a outros centros.

“Tivemos oito transplantes de fígado inviabilizados. Em algumas vezes eu recusei porque já sabia que não tinha, o Hemocentro tinha acabado de me falar que estava sem estoque. Os órgãos foram para outros centros, mas os nossos pacientes, que mereciam esse fígado, não puderam tê-lo”, lamentou a coordenadora.

“A doação de sangue é vital para que aconteçam os transplantes. Existem protocolos de estoque mínimo, dependendo do tipo de cirurgia”, disse Ilka.

DIFICULDADES. Diretor de Serviços de Coleta do Hemocentro, Vagner Castro disse que o centro recusou três cirurgias de transplante de fígado por causa do estoque baixo de sangue. O tipo sanguíneo com maior necessidade no momento é o O positivo.

Além do período de férias e feriados prolongados, a chuva também dificultou a ida aos pontos de coleta este ano, segundo Vagner. Outro ponto que pode afetar as doações nas próximas semanas é a vacinação contra febre amarela em 52 cidades do Estado de São Paulo – nenhuma delas, contudo, faz parte da região.

“Estamos também alertando as pessoas para doarem sangue antes de se vacinarem contra a febre amarela. Essa vacina utiliza vírus vivo atenuado, para quem está com a imunidade normal não tem problema, mas não sabemos se o paciente que receber o sangue vai estar com a imunidade baixa”.

DOAÇÕES. As prefeituras da região realizam campanhas de doação de sangue em parceria com o Hemocentro da Unicamp – no dia 20 de janeiro, por exemplo, haverá uma ação em Hortolândia. Contudo, também é possível se dirigir a um dos postos fixos de coleta. Na RPT, o Hospital Estadual de Sumaré recebe doações de sangue para o Hemocentro de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 12h.

O Banco de Sangue do Hospital Municipal de Americana recebe doação para as cirurgias que ocorrem no próprio local e em outras unidades de saúde do município. O horário de atendimento é feito de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30. O telefone para contato é o 3468-1739.

HC bate recorde de transplante em 2017

O Hospital das Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) fechou 2017 com um recorde histórico de transplante de órgãos. A unidade realizou 485 cirurgias, maior número desde a inauguração em 1984. Para a instituição, esse aumento está relacionado a uma conscientização da população sobre a importância de doações, e tende a crescer a cada ano.

Em relação a 2016, houve um crescimento de 38% nos transplantes, que passaram 351 para 485. O transplante de fígados registrou o maior crescimento percentual, saltando de 47 em 2016 para 70 no ano passado, um aumento de 48%. Esse tipo de cirurgia possui a segunda maior fila de espera, ficando atrás apenas do transplante de rins.

Os transplantes renais também bateram recorde desde o início das atividades em 1984, com 148 cirurgias. O transplante de córnea lidera com o maior número de cirurgias no ano passado – foram 218.

Coordenadora dos Transplantes Hepáticos, Ilka Boin disse que o número recorde está relacionado a um aumento no número de órgãos disponíveis, mas ainda está abaixo do ideal. O principal entrave é superar a recusa familiar, já que a maior parte das doações é proveniente de pacientes que tiveram morte encefálica, quadro irreversível.

“Há ainda um pouco da recusa familiar, as pessoas não entendem o processo de doação. Quando entendem, no momento de perda é difícil tomar uma decisão dessas. Temos que trabalhar com a conscientização tanto da família quanto dos profissionais de saúde, nos cuidados do doador para que todos os órgãos sejam aproveitáveis”, afirmou.

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