Ana Perugini e Vanderlei Macris pedem afastamento de Temer

Deputado tucano classificou atitude de Aécio Neves como inadmissível; petista defende eleições diretas para a escolha de um novo presidente


Os dois deputados federais com base em cidades da RPT (Região do Polo Têxtil) – Vanderlei Macris (PSDB) e Ana Perugini (PT) – defendem o afastamento do presidente da República Michel Temer (PSDB), se comprovadas as gravações onde ele dá aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) depois que ele foi preso na Operação Lava Jato.

Conforme o jornal O Globo publicou na noite desta quarta-feira, os donos do frigorífico JBS, os irmãos Joesley e Wesley Batista, gravaram o até então presidente do PSDB, o senador Aécio Neves, pedindo R$ 2 milhões e Temer negociando o pagamento da mesada ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para que ele ficasse calado.

Foto: PSDB / Divulgação
Senador Aécio Neves foi afastado do cargo por decisão do STF e deixou a presidência do PSDB

“A gente tomou a decisão de um impeachment contra a ex-presidente [Dilma Rousseff]. Não tinha sentido a gente lavar as mãos e não tocar para frente o País. Então, achamos [bancada do partido] que se confirmar os áudios, ele [Michel Temer] tem que se afastar e a gente pensar em uma nova alternativa de presidente para fazer essa transição, alguém que seja confiável para a sociedade, que tenha compromisso com essas reformas”, declarou Macris.

Para a deputada Ana Perugini, não há condição de Temer continuar à frente da presidência da República. “É preciso o afastamento. Já estava bastante difícil e agora ficou inviável”, disse. A parlamentar defende a realização de eleições diretas.

“A delação [dos donos do frigorífico JBS] vem acompanhada de provas, de filmagens. Nossa Constituição diz que deveríamos ter eleições indiretas agora, mas dada a normalidade que estamos vivendo desde o afastamento, da saída da presidenta Dilma, e desde a quebra do embasamento da nossa Constituição, hoje precisamos de eleições diretas, não tem muita saída”, afirmou.

Inadmissível

Quanto a Aécio, a bancada do PSDB decidiu nesta quinta-feira que irá afastá-lo da presidência do partido, mas aguardará o áudio da gravação de Temer comprando o silêncio de Eduardo Cunha para selar o rompimento com o governo.

“Não é uma coisa simples de a gente trabalhar, afinal de contas é o presidente nacional do partido envolvido. Uma pessoa que foi candidato a presidente da República. Mas o que precisa ficar claro é que o Aécio fez um papel de interesse pessoal, isso é inadmissível. Não vamos aceitar que o partido seja presidido por alguém que toma esse tipo de atitude, que comprometa o partido numa ação pessoal”, declarou Macris. Ele foi afastado do cargo de senador por decisão do Supremo Tribunal Federal.

O parlamentar também afirmou que a bancada do PSDB tenta ter acesso aos áudios que denunciam o envolvimento de Aécio e Temer. “Se o áudio confirmar o que a imprensa divulgou, vamos pedir a saída dos ministros do PSDB que estão no governo. Não vamos compactuar com um presidente que age dessa maneira”. Leia mais nas páginas 9 e 10.