INSS afasta 5 trabalhadores por dia na região

Despesa com o pagamento de auxílio-doença entre 2012 e 2016 chegou a R$ 80,7 milhões na soma das cinco cidades


A Previdência Social concedeu, entre 2012 e 2016, cinco benefícios de auxílio-doença por dia na RPT (Região do Polo Têxtil). O número representa pouco menos de um terço das 17 comunicações diárias de acidente de trabalho feitas às agências do INSS instaladas em Americana, Hortolândia, Nova Odessa, Santa Bárbara e Sumaré. Nesse período, o governo federal desembolsou R$ 80,7 milhões com o pagamento de trabalhadores afastados de suas funções na soma dos cinco municípios.

O LIBERAL teve acesso aos dados contidos no Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, ferramenta que acaba de ser disponibilizada pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) e pela OIT (Organização Internacional do Trabalho).

O mercado de trabalho de Sumaré, Santa Bárbara e Americana concentra quase 75% dos 9.003 afastamentos concedidos pela Previdência nos últimos cinco anos. Foram 2.298 no primeiro município, outros 2.260 no segundo e mais 2.060 no terceiro. Hortolândia vem logo em seguida, com 1.741 trabalhadores afastados entre 2012 e 2016. Nova Odessa fecha a conta com mais 644 benefícios de auxílio-doença.

Entretanto, o número de comunicações de acidentes no trabalho é muito maior. No período disponibilizado pelo Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, o INSS recebeu, na soma dos cinco municípios, 31.225 documentos do tipo, o que representa 17 por dia. Só Americana concentrou 68% das comunicações (12.665) – (leia mais na página ao lado).

Foto: Reprodução
Nova ferramenta foi desenvolvida e disponibilizada por equipes do Ministério Público do Trabalho e pela OIT (Organização Internacional do Trabalho)

O auxílio-doença é um benefício por incapacidade que o INSS paga aos segurados que sofrem de alguma doença ou que são vítimas de acidentes que os tornem temporariamente incapazes para o trabalho. Todos que pleiteiam o afastamento são submetidos à perícia médica. As empresas também são obrigadas a informar à Previdência Social todos os acidentes de trabalho ocorridos com seus empregados, mesmo que não haja afastamento das atividades, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência. Em caso de morte, a comunicação deverá ser imediata. Entre 2012 e 2016, 78 perderam a vida em decorrência de acidentes de trabalho.

Também nesse período, a Previdência Social desembolsou R$ 80,7 milhões para garantir o pagamento de auxílios-doença por acidente de trabalho, aposentadorias por invalidez acidentária, pensões por morte acidentária e auxílios-acidente – estes últimos relacionados a sequelas e redução da capacidade laborativa – que foram concedidos na região. Para os casos de Sumaré, foram dispensados R$ 19,3 milhões, contra R$ 19,1 milhões em Santa Bárbara, R$ 18,9 milhões em Americana, R$ 18,5 milhões em Hortolândia e outros R$ 4,8 milhões em Nova Odessa.

Outro dado disponibilizado pelo Ministério Público e pela Organização Internacional diz respeito ao número de dias de trabalho perdidos pelos beneficiários do INSS nos últimos cinco anos, na soma dos mais de 9 mil auxílios concedidos: 1.338.890 dias, o que representa incríveis 3.668 anos. “Os números isolados não dizem nada. Mas podemos agora identificar os tipos de acidentes de trabalho, a localidade, o setor para fazermos uma atuação preventiva”, destacou o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury.

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