Professores comemoram data em meio a polêmicas

A recente reforma do Ensino Médio anunciada pelo presidente Michel Temer divide educadores


Comemorado neste sábado (15), o Dia dos Professores teve sua data celebrada num dos momentos mais polêmicos para a classe dos últimos anos. A recente reforma do Ensino Médio anunciada pelo presidente Michel Temer divide educadores. Além disso, a má valorização dos profissionais segue acarretando déficit de professores em todo o País, na avaliação dos próprios educadores.

Para o professor de História da Educação e Filosofia da Unicamp, Cesar Nunes, as mudanças no sistema de ensino pecaram pela falta de diálogo com os educadores. “A reforma do Ensino Médio, do jeito que foi proposta, é precipitada para mim. Tem pontos que incorporam a vontade de mudança, mas é feita de forma muito autoritária. Foi feita por meio de medida provisória. Não convence os professores ou todo o conjunto de educadores que estavam empenhados em uma mudança”, opinou Nunes, que esteve em Americana ontem para uma palestra organizada pela FAM (Faculdade de Americana).

Foto: Dener Chimeli / O Liberal
Para o professor de História da Educação e Filosofia da Unicamp, Cesar Nunes, as mudanças no sistema de ensino pecaram pela falta de diálogo com os educadores

Um dos principais pontos do novo modelo anunciado pelo governo federal é a flexibilização no currículo. Parte da grade de disciplinas será comum a todos, mas depois o aluno poderá optar por áreas de seu interesse: Linguagens, Matemática, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e/ou ensino técnico. Segundo Nunes, o caminho deveria ser contrário. “O Ensino Médio deveria ampliar a jornada, com Teatro, Cultura, Arte, Filosofia e Sociologia, e não se transformar somente em Português e Matemática para preparar o aluno apenas para o vestibular”, comentou.

O professor da Unicamp ainda entende que o atual cenário de falta de professores qualificados é reflexo dos baixos salários da profissão. “A falta de vocações para a Educação é resultado dos últimos 30 anos de desprestígio das condições econômicas, profissionais e salariais do professor. O professor, até os anos 60, era voltado para formar as classes sociais mais ricas, mais abastadas. Naquela época existia um prestígio maior. De 70 para cá, houve uma proletarização da função de professor. Ele passou a ser alguém das camadas populares, havendo uma queda nos salários”, recorda Nunes.

Ao menos em São Paulo, professores ganharam uma boa notícia em sua data. O governo estadual autorizou a convocação de 20,9 mil professores aprovados no maior concurso do magistério, realizado em 2013. As vagas serão abertas para o próximo ano letivo.

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