Hortolândia tem pior cenário para tuberculose

Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose foi lançado no final de junho pelo Ministério da Saúde e prevê série de ações


Hortolândia é a cidade da RPT (Região do Polo Têxtil) com pior cenário em relação à tuberculose. O Ministério da Saúde classificou os municípios brasileiros de acordo com indicadores socioeconômicos e os índices da doença, informação que deve ser utilizada para traçar estratégias de combate à doença.

O levantamento faz parte do Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose, lançado no final de junho. Desde o início do ano, a RPT registrou 91 novos casos da doença, e quatro pessoas morreram vítimas de tuberculose.

O Ministério dividiu os municípios brasileiros em dois grupos e, dentro deles, oito subgrupos, com base em dados de 2014 e 2015. Os municípios que estão no cenário 1 são caracterizados por indicadores socioeconômicos melhores. Americana (1.3), Nova Odessa (1.1), Santa Bárbara do Oeste (1.0) e Sumaré (1.1) pertencem a esse grupo.

Foto: Arquivo / O Liberal
População carcerária está mais propícia à proliferação do bacilo que causa a tuberculose

A diferença entre o cenário 1.1 e 1.3 está no maior coeficiente de casos ocorrer no subcenário 1.3. A incidência nesse grupo está muito ligada, também a pacientes soropositivos, que têm a imunidade baixa, e população carcerária, que convive em ambiente fechado e úmido, propício à proliferação do bacilo.

Incidência

Já o grupo 2, do qual Hortolândia (2.3) faz parte, é caracterizado por indicadores socioeconômicos piores. Esse grupo é responsável por 56% de todos os casos de tuberculose do país, possui a maior incidência de Aids e o segundo maior de mortalidade por tuberculose, indicador da necessidade de melhora nos cuidados e tratamentos aos pacientes.

Em nota, a Secretaria de Saúde do município disse que são realizadas ações constantes de busca ativa por novos casos, além de serem oferecidos tratamento e acompanhamento na rede básica de saúde.

Este ano, Hortolândia registrou 22 novos casos da doença, mesmo número de Americana. Sumaré teve a maior incidência até agora, com 35 casos. Em Nova Odessa foram 8 e em Santa Bárbara d’Oeste 4.

Tratamento

Farmacêutica e coordenadora do Programa do Ambulatório de Infectologia de Santa Bárbara d’Oeste, Renata Poletto Bandera de Moura explicou que o município conseguiu reduzir o número de casos após adotar a política de tratamento assistido.

Os medicamentos ficam nas unidades básicas de saúde, e os pacientes vão até lá para tomarem os remédios. Isso garante, segundo ela, que o tratamento não seja interrompido após uma melhora no quadro do paciente, evitando assim novas transmissões.

“Percebíamos que, depois de dois ou três anos, apareciam novos pacientes da mesma família ou mesmo grupo de trabalho de outra pessoa que já havia passado por tratamento. Isso indicava que o medicamento não estava sendo tomado corretamente”, disse Renata.

O tratamento consiste em antibiótico via oral e tem duração de seis meses. A meta do Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose é chegar a menos de 10 casos por 100 mil habitantes até o ano de 2035.