Vereadores faltam e emperram CEI que analisa demissão de probatórios

Sem quórum, apuração determinada pela Justiça não define relator e vereador vê tentativa de atrapalhar a investigação


Aberta somente após determinação judicial, a CEI (Comissão Especial de Inquérito) que apura as contas da Prefeitura de Americana e a necessidade da exoneração dos funcionários em estágio probatório encontra dificuldade para sair do papel. Nesta terça-feira, quando seria escolhido o relator, a reunião não aconteceu por falta de quórum. Para o presidente da comissão, vereador Padre Sérgio (PT), as ausências refletem tentativa de atrapalhar a investigação.

No passado, a “estratégia” ocorreu em pelo menos duas oportunidades no Legislativo de Americana: na CEI da Merenda, em 2016, quando se apurou suposta fraude na contratação de fornecimento de merenda escolar, e na CEI do Calote, em 2012, quando a base aliada tentou atrasar a investigação de suspeitas de um calote generalizado da prefeitura com fornecedores.

Foto: Arquivo / O Liberal
Padre Sérgio diz que faltas tiveram intenção de atrapalhar as investigações

Logo após a instauração da CEI, o alto número de vereadores se oferecendo para participar da apuração já levantou no gabinete de Padre Sérgio a possibilidade de que a estratégia de protelar os trabalhos fosse adotada pela base do prefeito. Os ausentes nesta terça, entretanto, apresentaram justificativas diferentes.

Além do petista, fazem parte da comissão os vereadores Gualter Amado (PRB), Odir Demarchi (PR), Vagner Malheiros (PDT), Welington Rezende (PRP), que estavam presentes na reunião desta terça-feira, e Maria Giovana Fortunato (PC do B), Luiz da Rodaben (PP), Kim (PMDB), Marschelo Meche (PSDB) e Pedro Peol (PV), que faltaram.

Kim reclamou do prazo para convocação da reunião, afirmando que ela ocorreu sem seguir o regimento, mas Padre Sergio e outros parlamentares disseram que ela ocorreu dentro do prazo de sete dias de antecedência. Um assessor o representou.

Já Rodaben e Peol alegaram que tiveram compromissos pessoais. Peol disse que pretendia ir, mesmo atrasado, mas não chegou a tempo e a reunião não ocorreu. Maria Giovana estava doente, segundo sua assessoria. Meche não estava na cidade, e um assessor foi à reunião.

Apesar das justificativas, para Padre Sérgio, as ausências – exceto a de Maria Giovana, por motivos de saúde – revelam estratégia para atrapalhar os trabalhos.

“Os cinco que foram estão animados para levar a CEI em frente. Faltou somente um para dar quórum. Se faltarem de novo, nós vamos aplicar o regimento, vamos estudar o que é possível fazer caso reincidam. Fica clara a intenção em atrapalhar”, afirmou. Nova reunião foi marcada para 9 de novembro.

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