Tétano e hepatite B podem ser transmitidos em ataques de seringa

Infectologista Arnaldo Gouveia Júnior disse que não existe relato de transmissão de HIV de agulha espetada nas pessoas


Foto: Andre Borges/Agência Brasília
Médico garante que vacinação contra tétano e hepatite B é o mais indicado no caso de ataques com seringa

Após o segundo registro de ataque de pedintes com seringas em Americana, o LIBERAL procurou o infectologista Arnaldo Gouveia Júnior para saber sobre quais as doenças que podem ser transmitidas às vítimas. Segundo o especialista, não há uma indicação formal do uso do coquetel para evitar contaminação por HIV nos casos dos ataques com seringa. “Não existe relato de transmissão de HIV de agulha pegada no chão e espetada nas pessoas. O risco é de tétano e hepatite B”, declarou.

Na avaliação do médico, não há necessidade de se tomar o coquetel. “O importante é a vacina de tétano e hepatite B, mas as pessoas ficam com uma ansiedade tão grande que a gente acaba dando o coquetel”, afirmou.

O LIBERAL também questionou a Prefeitura de Americana sobre o chamamento público divulgado em julho para a contratação de equipe especializada para a abordagem, encaminhamento e abrigo de moradores de rua. A medida tem como objetivo remover todos os pedintes dos semáforos. O Poder Executivo informou, via assessoria de imprensa, que o processo ainda está em andamento e que a população pode acionar a guarda pelo telefone 153 quando se sentir ameaçada por situações deste tipo.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Frentista foi atacado no cruzamento da Rua Emílio Covessi com a Avenida Paschoal Ardito

CASOS
O ataque mais recente aconteceu nesta segunda-feira (11). Um frentista de 30 anos disse que estava parado no cruzamento da Rua Emílio Covessi com a Avenida Paschoal Ardito quando foi abordado por um pedinte. O homem pediu moedas e o atacou com uma picada de agulha no ombro esquerdo.

Na segunda-feira da semana passada, dia 4, um homem de 38 anos foi atacado também com uma seringa, na Avenida da Saudade, próximo do cruzamento onde o frentista foi surpreendido. Ele disse ter sido abordado no semáforo por um pedinte e quando afirmou que não tinha dinheiro, teria sido atacado e levado uma picada de agulha no braço.

Ambas as vítimas tomaram o coquetel para evitar contaminação por HIV e outras doenças. Os casos foram registrados na CPJ (Central de Polícia Judiciária).

SEGURANÇA
A Gama (Guarda Municipal de Americana) acredita que os dois ataques com seringa registrados na cidade foram realizados por pessoas diferentes. “Os suspeitos não têm as mesmas descrições, segundo o que foi passado pelas vítimas”, declarou o diretor-comandante da guarda, Marcos Guilherme.

Já o tenente-coronel do 19º Batalhão da Polícia Militar do Interior, Mauro Luchiari, disse que o suspeito do primeiro ataque já foi identificado. “O pedinte foi identificado, mas ficou sabendo e sumiu”, afirmou. Luchiari orienta os motoristas a ficarem com os vidros dos carros fechados quando estiverem parados nos semáforos; negarem qualquer tipo de ajuda; e percebendo algo diferente, ligarem para o 190 para que uma viatura compareça imediatamente no local e faça a averiguação.

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