Secretário tenta R$ 2 milhões para a saúde junto ao governo estadual

Nilton Lobo vai até São Paulo na tentativa de pedir “socorro” e deve focar em dinheiro para terceirizar atendimento


Apostando todas as fichas em uma solução externa para a crise na saúde municipal, o secretário da pasta de Americana, Nilton Lobo, vai nesta quarta-feira (5) até São Paulo esperando receber do governo estadual um aporte de pelo menos R$ 2 milhões por mês para custear a rede de saúde. Esta é a meta mínima de uma extensa lista de reivindicações feitas pessoalmente ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), no dia 24. “É o valor que eu considero necessário para adequar a quantidade de médicos tanto para as unidades básicas como para completar o quadro do Hospital Municipal. Sei que verbas de custeio são muito difíceis de conseguir, mas temos que ter esperança”, pontuou.

Deve participar da reunião na Secretaria Estadual de Saúde o deputado estadual e presidente da Assembleia, Cauê Macris (PSDB), que intermediou o encontro. Para conseguir o dinheiro, o secretário usará como argumento as características de atendimento regional no hospital americanense, a proximidade da cidade com grandes rodovias — o que o tornou referência para a transferência de acidentados – além da crise financeira que teria deixado mais de 15 mil trabalhadores da cidade sem plano de saúde. “A prefeitura não consegue bancar estes compromissos, não tem orçamento para fazer este atendimento de portas abertas”, declarou.

Foto: Arquivo / O Liberal
Segundo o secretário mais de 80 profissionais pediram o desligamento nos últimos meses

Se conseguir o dinheiro, a estratégia da pasta é terceirizar a contratação de médicos até mesmo para o atendimento básico. Hoje apenas 22 médicos trabalham nas unidades básicas, quando seriam necessários 100. A tática de terceirização já é usada dentro do HM, sendo a OS (Organização Social) Plural responsável por 80% dos plantões realizados na unidade. “A gente não mandou médico embora. Eles pediram demissão porque a partir do momento que começamos a exigir o cumprimento integral de horas através do ponto eletrônico tornou-se desinteressante o contrato”, declarou. Segundo o secretário mais de 80 profissionais pediram o desligamento nos últimos meses. “Agora o único jeito que temos para contratar legalmente é através do pregão e na rede básica precisamos fazer a mesma coisa para suprir a falta de médicos”, pontuou o secretário. A prefeitura está impedida de abrir concursos públicos até adequar a folha de pagamento do funcionalismo ao limite de 54% do orçamento, previsto na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).

COMPLEXIDADE. Devem entrar também na pauta de discussão com o governo estadual a dificuldade da transferência de pacientes de alta complexidade através do Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde), serviço comandado pelo Estado, e a abertura de um AME (Ambulatório Médico de Especialidades) no segundo piso do prédio anexo ao hospital municipal, que também ficaria sob gestão da pasta estadual. “Com a verba de custeio conseguimos arrumar as unidades básicas e desafogar o Pronto-Socorro do municipal. Além disso, se conseguirmos transferir os pacientes complexos através do Cross – uma situação que gera custo e desconforto para as famílias – podemos voltar a pensar em novos projetos para a Saúde”, finalizou o secretário.

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