Lobby de empresários barra projeto de pulverização

Projeto que proíbe pulverização aérea com agrotóxicos em Americana, aprovado em 1ª discussão, não passou pela segunda votação


O projeto de lei que proíbe a pulverização aérea com agrotóxicos em Americana, aprovado em primeira discussão e elogiado pelos vereadores na semana passada, não passou pela segunda votação.

Os empresários do setor, usineiros e donos de aeronaves tomaram o plenário nesta quarta e, antes mesmo da sessão da câmara começar, eles conseguiram ser ouvidos a portas fechadas por todos os legisladores, sobre as caraterísticas tecnológicas de uma atividade que, segundo eles, não coloca em risco algum o meio ambiente. E o grupo conseguiu, ao menos, um prazo para apresentar documentos comprovando a eficiência e a segurança da ferramenta do campo mecanizado.

O próprio autor do projeto, o vereador Sérgio Alvarez (PT), pediu vista e adiou a segunda discussão. O petista não se rendeu às explicações técnicas da reunião. Segundo o vereador, os empresários apareceram munidos de uma série de números, gráficos e informações, com o objetivo de forçar a mudança do voto de quem aprovou o projeto na semana passada.

Foto: Arquivo / O Liberal
O próprio autor do projeto, o vereador Sérgio Alvarez (PT), pediu vista e adiou a segunda discussão

Com o pedido de vista, ele mesmo terá tempo de provar, para cada vereador, que a pulverização aérea prejudica de fato a agricultura orgânica do Pós-Represa. “Eles vieram, tomaram o plenário e impactaram. Mas vou usar a semana para convencer os vereadores que devemos aprovar o projeto”, disse.

“Tenho vídeos feitos pelos próprios lavradores, mostrando a atividade irregular das aeronaves sobre suas roças”, comentou.

Bruno Vasconcelos, que na reunião prévia à sessão representou a empresa Sana Agroaérea (atuante na pulverização aérea de canaviais do Pós-Represa), afirmou que a atividade é segura, pois reduz o agrotóxico ao mínimo necessário.

“Sem a aeronave será muito pior. O agricultor vai fazer a pulverização costal, em condições insalubres, em contato direto com o agrotóxico”, afirmou. “Aí sim é que o prejuízo será grande. O lavrador vai parar no hospital”, disse.

Para Ricardo Valbrecht, assessor jurídico do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola, a pulverização aérea é uma atividade regulamentada, altamente tecnológica e fiscalizada por pessoal técnico especializado do próprio Ministério da Agricultura. “Quando a atividade é feita de forma correta não prejudica os lindeiros (vizinhos da área pulverizada)”, disse.

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