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Justiça Federal condena dois por tráfico internacional de armas

Esquema acabou descoberto depois da apreensão de peças importadas dos Estados Unidos pela Receita Federal, no Aeroporto de Viracopos


Decisão da Justiça Federal de Americana condenou duas pessoas por tráfico internacional de armas de fogo. A dupla foi presa em junho após investigação da Polícia Federal de Piracicaba descobrir que peças importadas dos Estados Unidos eram usadas para a montagem de fuzis em Americana.

O autônomo Valdenir Gomes, de 48 anos, que mora na cidade, recebeu pena de 9 anos e 9 meses de prisão, mas poderá recorrer em liberdade. O norte-americano Ernest Nunes, ou Ernesto Jorge Nunes, morador de Hortolândia, de 49, foi condenado a 6 anos e 9 meses. Poderá recorrer, mas continuará preso.

A Polícia Federal descobriu o esquema após uma apreensão de peças de armas feita pela Receita Federal, no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, em maio. Na época, foram rastreadas as encomendas relacionadas ao norte-americano e à empresa na qual ele aparece como proprietário – a Safe Unique Systems.

Foto: Polícia Federal / Divulgação
Produtos foram apreendidos nas casas dos suspeitos

Por meio da empresa de Ernest, Valdenir recebeu, em junho, peças de fuzis enviadas dos EUA. O autônomo montava modelos AR-15 e M16 em uma oficina na própria casa, no Jardim Primavera, em Americana.
Para prendê-lo, policiais federais montaram campana e flagraram o momento em que a encomenda foi entregue. No pacote, estavam peças de um fuzil de calibre .556. Na casa do autônomo, os policiais também encontraram mais peças de armas de uso restrito e de pressão.

Durante a prisão, Valdenir revelou que as peças haviam sido enviadas pela empresa do norte-americano, que acabou sendo preso logo em seguida na sede da Polícia Federal em Viracopos. Segundo o autônomo, antes de ser descoberto, ele recebeu outras peças e chegou a montar três fuzis para Ernest.

Ouvido pela Polícia Federal, Valdenir afirmou que recebeu entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil de Ernest para cada arma montada. Também disse que o norte-americano havia lhe contado que cada fuzil era vendido por R$ 40 mil. Depois, em depoimento à Justiça, deu outra versão, alegando que apenas fazia reparos em peças de armas que pensava serem de pressão.

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Na investigação, a Polícia Federal não identificou quem seriam os compradores das armas, mas ressaltou, no Relatório de Inteligência, que remessas semelhantes eram detectadas com frequência na alfândega de aeroportos e sugeriu a possibilidade de o uso dos fuzis estar relacionado a ataques contra bancos e empresas de transporte de valor.

O advogado Vanderley Muniz, que defende Valdenir, afirmou ao LIBERAL que já recorreu da decisão. A defesa alega que o endereço do autônomo foi usado pelos responsáveis pela importação. O advogado que representa Ernest não foi encontrado pela reportagem. À Justiça, a defesa argumentou que o norte-americano “não tinha conhecimento pleno de que seus atos caracterizavam crime” no Brasil.