Fotógrafo Ademir Lopes é condenado por golpe em clientes

Justiça entendeu que Ademir Lopes fez contratos sem condições de cumpri-los


Foto: Arquivo / O Liberal
Empresa de fotografia de Americana se tornou alvo da ira de clientes em março de 2015, quando informou que não tinha mais como cumprir com contratos

O fotógrafo Ademir Lopes, acusado de aplicar golpes em casais que contrataram seus serviços em Americana, foi condenado a um ano e oito meses de prisão no regime aberto e pode ter que indenizar as 32 vítimas relacionadas no processo. Os valores ainda precisarão ser cobrados na justiça cível, mas são estimados em R$ 66 mil. A defesa de Lopes diz que ainda aguarda ele se manifestar sobre a sentença para saber se entrará com recurso.

De acordo com a acusação do Ministério Público, cerca de 100 clientes tiveram prejuízos com o fotógrafo entre 2013 e 2015, mas somente 32 foram considerados para a acusação de estelionato, que seriam os casais que deixaram de ter os serviços prestados intencionalmente, já que Lopes teria fechado os contratos sabendo que não teria condições de honrá-los.

Lopes chegou a ficar cerca de um ano sem ser localizado pela Justiça, que só o encontrou em Piracicaba quando o processo já corria risco de ser arquivado. Em audiência, ele defendeu que não se tratava de estelionato, mas somente de falência, e que não havia provas de crime.

O juiz André Carlos de Oliveira, da 1ª Vara Criminal de Americana, entendeu ser “evidente” que Lopes firmou contratos sabendo que não iria cumprir. “Não cumpriu com os contratos, apoderou-se dos valores após ludibriar as vítimas, com a garantia de que iria prestar os serviços e perpetuou o prejuízo, na medida em que não restituiu valor algum ou mesmo fez o serviço ajustado. O dolo é notório, pois procurado por vítima, mesmo já com a loja fechada, garantiu que prestaria o serviço e que ela deveria continuar a pagar as prestações”, escreveu o juiz na sentença.

A auxiliar de departamento pessoal Mariela Bacegato, de 27 anos, contratou os serviços de Lopes e chegou a pagar, em parcelas, cerca de R$ 5 mil. Depois, ficou sabendo da falência da empresa. Ela disse que o fotógrafo garantiu que prestaria o serviço, mas não confiou. Quatro meses antes da cerimônia, contratou outro profissional, arcando com os valores novamente.

Diante da notícia da condenação, ela ainda se mostrou preocupada. “A notícia é boa, mas eu custo a acreditar que ele vai fazer isso [ressarcir os valores], porque a empresa faliu. Até demorou para conseguir isso, mas já é um passo”, disse.

Na condenação, o juiz determina que a pena seja convertida em serviços comunitários, e estipula um valor mínimo de indenização, correspondente ao ressarcimento de cada umas das vítimas. Esse ressarcimento, entretanto, só deve ocorrer após ação na área cível.

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