Família, amigos e políticos se despedem de Ralph Biasi

Engenheiro civil e empresário, ele foi eleito em 1972, com 25 anos, e ocupou cargos de deputado, secretário e ministro


Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Ralph Biasi estava internado há 15 dias no Hospital Albert Einstein, em São Paulo

Morreu nesta sexta-feira, aos 69 anos, o ex-prefeito de Americana, Ralph Biasi. Segundo informações da família, ele estava internado há 15 dias no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, tratando de problemas pulmonares. Engenheiro civil e empresário, Ralph foi eleito em 1972, com 25 anos, e dirigiu a cidade entre 1973 e 1977 – é, até hoje, o prefeito mais novo da história de Americana.

Filiado ao MDB e, mais tarde, ao PMDB, ele também é considerado o político americanense de maior prestígio. Além de deputado federal entre 1983 e 1991, foi nomeado ministro da Ciência e Tecnologia durante o governo do presidente José Sarney, em 1988. Ele deverá ser cremado neste sábado, em Campinas. A previsão é de que o velório termine por volta das 13 horas.

Por volta das 21 horas desta sexta-feira, no velório, cerca de 30 pessoas acompanharam as palavras do padre Itamar Gonçalves, ex-pároco da igreja do bairro São Domingos. De batina, ele revelou que a presença dele no adeus de Ralph Biasi era um desejo do ex-prefeito.

Segundo o padre, o engenheiro gostava quando ele rezava em latim. “Duas coisas o Ralph desejava de mim. Ele gostava muito que eu rezasse em latim com ele. Pedia para eu ler toda a missa em latim”, revelou. “E ele gostava muito de me ver de batina. A última vez que nos encontramos falou se eu aceitaria no dia da morte dele estar de batina”. No início da homenagem, Itamar olhou para o corpo e dise em latim: “Que a paz do senhor esteja sempre com você”.

Foto: Arquivo / O Liberal
Ralph assumiu o comando da Prefeitura de Americana quando tinha 25 anos, em 1973

LEMBRANÇAS
O deputado federal Vanderlei Macris (PSDB) esteve na despedida a Ralph, nesta sexta-feira. Ao LIBERAL, o tucano lembrou que o ex-prefeito, além de amigo, foi seu contemporâneo durante a entrada na política. Ralph tinha 25 anos e Macris, 21. “A gente, um grupo de jovens, resolveu participar da política. Resolvemos todo mundo entrar no MDB”, lembrou Macris, que foi líder do governo de Ralph em seu primeiro mandato na câmara. “Ele fez uma revolução na cidade em termos de gestão, moderna, com gente conhecedora de cada área. Aprendi muito com ele”.

As lições do ex-prefeito também serviram ao atual chefe do Executivo em Americana, Omar Najar (PMDB). “O Ralph me ajudou muito na política, que eu não conhecia”, contou. Segundo Omar, foi o amigo quem o bancou na cabeça da chapa de sua primeira tentativa de eleição a prefeito, em 2008.

A relação entre os dois era de confiança. Foi Ralph, por exemplo, quem sugeriu para Omar a contratação do assessor pessoal Robson Lozano, que trabalhava para o engenheiro. Robson é um dos mais próximos ao atual prefeito.

A família da cientista política Kennya Assis, de 34 anos, era amiga da família Biasi. Nesta sexta-feira, no velório, ela lembrou da influência do ex-prefeito em sua carreira. “A gente perde um dos principais quadros políticos de Americana. Tive o privilégio de conhecê-lo muito nova. Foi ele quem me trouxe oficialmente para a política. Ele falava ‘não deixa morrer este sonho que eu fui prefeito jovem’”, contou.

INFÂNCIA
Amiga da família, a presidente do Grupo Liberal de Comunicação, Jocelyna Medon Bianco, de 92 anos, contou que o desejo de Ralph de ser político vinha de muito novo. “Quando ele estava na escola, no recreio, ficava brincando e dizia: ‘Vou ser prefeito de Americana’”, lembrou. “Era muito amigo da minha família. Um rapaz bom. Vai deixar muitas saudades”.