Em entrevista à revista, Joesley cita ‘mensalinho’ a Ortolan

Ex-secretário municipal de Educação de Americana voltou a negar que tenha recebido recursos indevidos


Foto: Câmara de Americana / Divulgação
Milton Ortolan voltou a ser citado pelo empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, em entrevista à revista Época publicada neste sábado

O ex-secretário municipal de Educação de Americana, Milton Ortolan, voltou a ser citado pelo empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, em entrevista à revista Época publicada neste sábado.
Joesley acusa o presidente Michel Temer de liderar “a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil” e se refere “a um tal de Milton Ortolon (sic)” como sendo beneficiário de um suposto mensalinho encomendado pelo presidente. Neste sábado, Temer afirmou que irá processar Joesley.

Conforme o LIBERAL noticiou na época da delação de Joesley Batista a investigadores da Operação Lava Jato, em maio, Milton Ortolan foi acusado de receber R$ 20 mil mensais ao longo de um ano, a título de propina, quando era secretário-executivo do Ministério da Agricultura.

Na entrevista, Joesley é questionado se Temer havia pedido dinheiro a ele logo em 2010 e se o agora presidente pedia algo em troca. “Sempre estava ligado a alguma coisa ou a algum favor. Raras vezes não. Uma delas foi quando ele pediu os R$ 300 mil para fazer campanha na internet antes do impeachment, preocupado com a imagem dele. Fazia pequenos pedidos. Quando o Wagner [Rossi, ex-ministro da Agricultura] saiu, Temer pediu um dinheiro para ele se manter. Também pediu para um tal de Milton Ortolon [sic], que está lá na nossa colaboração. Um sujeito que é ligado a ele. Pediu para fazermos um mensalinho. Fizemos”, respondeu Joesley.

Neste sábado, Ortolan voltou a negar que tenha recebido recursos indevidos. Ele afirmou que recebeu pagamento por serviços de consultoria prestados à Eldorado Celulose, empresa do Grupo J&F, entre 2012 e 2013, quando já não tinha vínculo algum com o governo.
“Joesley me conhece, eu o conheço, prestei serviço para a empresa dele. Tenho comigo o contrato assinado para a prestação de um ano de serviço. Tudo regular”, disse neste sábado. O ex-secretário afirmou que vai buscar orientação do seu advogado antes de tomar qualquer providência.