Em Americana, grupo acampa ao lado da Seccional

Andarilhos, quatro jovens ocupam espaço na Avenida Brasil e dizem que opção levou em consideração o fator segurança do local


Quatro jovens – três mulheres e um homem – estão acampados ao lado da Delegacia Seccional, em uma área bem em frente à Prefeitura de Americana, na Avenida Brasil. O grupo de artistas de rua escolheu a localização por considerar o espaço seguro.

O cartão postal de Americana também vem servindo de ponto de trabalho há três dias para o grupo, que faz malabares nos sinais em troca de doações. “Aqui tem vários sinais (semáforos) e o povo é acolhedor, entende nossa arte”, comentou a jovem Angeline Iracema, de 20 anos, que diz ser do Rio de Janeiro.

Há cinco anos atuando no trabalho nômade, ela vive com o companheiro David Luís Machado dos Santos, 25 anos, do Rio Grande do Sul. “Eu já tinha ficado cinco meses em Americana e gostei daqui, porque os policiais nos respeitam e não nos humilham. Mas a Sol [apelido de Angelina], ainda não conhecia essa cidade. Agora estamos indo para Minas Gerais”, explicou o rapaz que gosta de ser chamado de Kal.

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Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Jovens descansam na grama em área ao lado da Delegacia Seccional de Americana e em frente à prefeitura

Conseguindo arrecadar, em média, R$ 50 por dia nos semáforos de Americana, o grupo diz que deve deixar o município entre hoje e amanhã. “Já visitamos o Parque Ecológico e agora queremos ir em um parque de diversões. Hoje [Quarta] tiramos o dia de folga para conhecer a cidade e relaxar, porque essa também é a ideia de estar na estrada”, declarou Sol.

Sem saber dizer em quantas cidades já estiveram nos últimos anos, o casal conta com a ajuda de frentistas para usar o banheiro de postos de gasolina e costuma tomar banho em pousadas. Eles contam que, em Americana, estão usando uma bica na Avenida Brasil para fazer a higiene diária. “Em algumas cidades os guardas tiram nossos malabares e nos xingam, mas aqui é uma das melhores rotas para trabalhar, como também em Limeira e Araras”, garante Kal.

Sem querer mostrar o rosto, o casal aceitou posar para uma foto na tarde desta quarta-feira, segurando os objetos de trabalho em frente ao Paço Javerte Galassi, sede do Poder Executivo. Compõe o grupo também outras duas garotas que não se identificaram, mas disseram ao LIBERAL que são de Campinas e Mongaguá.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Sem saber dizer em quantas cidades já estiveram nos últimos anos, o casal conta com a ajuda de frentistas para usar o banheiro de postos de gasolina e costuma tomar banho em pousadas

Apesar de garantirem que tem recebido aprovação popular para ficar onde estão, a presença dos artistas de rua, tem chamado a atenção de quem passa por lá. Estranhando as barracas montadas ao lado da delegacia, até os policiais ficaram curiosos com a história do grupo. Enquanto cediam entrevista à reportagem, o casal também respondeu perguntas de um investigador da polícia, que questionou a idade das garotas e a rotina delas.

Controvérsia

O LIBERAL vem noticiando rotineiramente que o aumento no número de pedintes em sinaleiros tem gerado incômodo e críticas por parte da população. Segundo dados fornecidos em dezembro pelo Seas (Serviço Especializado em Abordagem Social), da Secretaria de Ação Social e Desenvolvimento Humano da cidade, o município tem aproximadamente 100 pessoas pedindo ajuda aos motoristas.

O número, segundo a pasta, é 10% maior em relação ao mesmo período do ano passado. Procurada para comentar o assunto, a Prefeitura de Americana não se manifestou sobre o caso.