Duas ex-servidoras negam fraudes no Cemitério da Saudade

Fase de oitivas terminou com depoimento de ex-concursadas, que descartaram envolvimento na venda de sepulturas


As ex-servidoras concursadas Maria Lucia Batista e Shirlei Felix Pinto negaram qualquer envolvimento no esquema de vendas de sepulturas no Cemitério da Saudade, em Americana, nos anos em que auxiliaram os trabalhos administrativos.

As duas foram convocadas através de intimação judicial pela CEI (Comissão Especial de Inquérito) – que investiga os casos pela câmara – após terem sido indicadas em depoimentos prévios como intermediárias nas negociações entre administração e empreiteiras vizinhas, fraude que os parlamentares suspeitam ter movimentado até R$ 5 milhões desde 2008.

Ambas prestaram depoimento, acompanhadas da advogada Lyriam Simioni, mesma profissional que representa o ex-administrador do campo santo, Lucas Vitareli.

Foto: Dener Chimeli / O Liberal
CEI da câmara concluiu mais uma etapa com o depoimento das ex-servidoras

A ex-ajudante geral Shirlei, que também chegou a compor um grupo de avaliação dos casos suspeitos de fraude durante três anos, disse que assumiu o cargo no Cemitério da Saudade, a convite de Vitareli, para informatizar o espaço e organizar as documentações de posse, os quais ficavam “amontoados na portaria do cemitério”, sem os devidos cuidados. “Os casos de venda que eu soube foram anteriores ao período do Lucas. Saíam anúncios nos jornais e famílias nos procuraram reclamando de documentos parados. Ficamos estarrecidos com a quantidade de pessoas que nos falaram sobre isso”, relatou.

A ex-servidora também afirmou que o setor responsável por barrar transferências irregulares seria a Secretaria de Negócios Jurídicos, mas que erros podem ter acontecido no processo. “Era deles a responsabilidade da análise. Mas eu não tenho conhecimento de nenhuma negligência ou aprovação de processos irregulares neste período”, acrescentou.

Já Maria Lucia prestou breve depoimento dizendo nunca ter ouvido falar em venda de sepulturas, só vindo a saber dos fatos no mês passado, quando recebeu a intimação judicial. “Meu serviço era fazer café, chá e limpeza. Não sei de nada e não vi nada”, concluiu.

Revista L – BC.1
Liberal Motors – BC

Após as oitivas, o relator da CEI, Celso Zoppi (PT), disse que pretende reunir os membros outras duas vezes até o início da semana que vem, para que sejam discutidas as conclusões do grupo sobre o caso. “O que dá para adiantar é que havia sim uma relação muito estreita entre as empreiteiras, administração do cemitério e departamento jurídico. Vamos tentar o máximo de reuniões até terça-feira, quando vamos protocolar o relatório para votação na quinta”, declarou.

Se aprovado, os trabalhos serão encaminhados ao Ministério Público.