Comerciantes ‘trancam’ postes para evitar furto de fiação

Moradores apelam por equipamentos de segurança para evitar ação de bandidos que furtam fios em plena Av. Cillos


Comerciantes estabelecidos em Americana resolveram investir em recursos alternativos de segurança, na esperança de conter a ação de bandos que furtam fiação e equipamentos elétricos. As corporações policiais explicam que os crimes, invariavelmente, são cometidos por menores: o material é vendido e o dinheiro é gasto com drogas. Mas as vítimas dos furtos não podem esperar pela ajuda do patrulhamento. As grades adaptadas ao menos dificultam a ação dos criminosos.

Allan Marciel Ricardo, de 30 anos, investe na reforma de um imóvel da Avenida Cillos, onde vai funcionar uma clínica. Em pouco mais de uma semana, disse, o material elétrico da construção foi furtado duas vezes. Na primeira oportunidade ele registrou a ocorrência e gastou com o religamento.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Allan Marciel Ricardo estava investindo na reforma de um imóvel da Avenida Cillos

Dois dias depois, achou tudo arrombado de novo. Agora, Allan investiu na instalação de grades no poste para evitar novos furtos. Além disso, tomou a iniciativa de podar a árvore da calçada, que nas duas ocasiões serviu de “escada” para que os ladrões chegassem à fiação aérea. “Não sabia mais a quem recorrer. Os marginais estão soltos”, lamentou.

Pedro Humberto de Moraes, de 52 anos, gerente de um lava-jato na Rua das Rosas, na Cidade Jardim, também gastou dinheiro pesado para mudar todas as instalações. Ele conta que, em uma única madrugada, os ladrões levaram R$ 1 mil em fios. Primeiro, ele aterrou toda a nova fiação. Depois, cercou o poste com grades e cadeados. Pelo menos até agora nenhum outro furto aconteceu. “Falta segurança pública. A população precisa de mais rondas policiais pelo bairro”, afirmou.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Grades adaptadas dificultam a ação dos criminosos

ESTRATÉGIA
O major Rogério Takiuchi, do 19º BPMI (Batalhão da Polícia Militar do Interior), explica que as ações ostensivas da corporação comprovam que crimes do gênero são cometidos por jovens moradores da própria cidade, que praticam os crimes para consumir drogas. “Não adianta flagrar. O criminoso precisa ser indiciado, e os investigadores precisam identificar os receptores do material roubado”, disse. “Precisamos de ação conjunta no sistema público de segurança, para que os bandidos não fiquem soltos”.

Marcos Guilherme, comandante da Gama (Guarda Municipal de Americana) concorda com o major em um ponto essencial: a identificação dos receptores é essencial para combater o crime. Para atenuar a situação atual, explica, as rondas preventivas são setorizadas, considerando o número de ocorrências em cada região. “O patrulhamento direcionado combate ao crime nos bairros onde, comprovadamente, funcionam mais biqueiras do tráfico”, completa.

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