Casos de tuberculose voltam a aumentar

Número de infectados com a doença em Americana neste ano já é o maior registrado desde 2013


Americana registrou em 2017 a maior quantidade de casos de tuberculose desde 2013, segundo dados da Secretaria de Saúde do município. Foram 40 casos desde o início do ano, sem considerar as notificações no CDP (Centro de Detenção Provisória) da cidade. O município é o único da RPT (Região do Polo Têxtil) que registrou aumento nos casos em 2017 até agora.

Em todo o ano passado, foram 31 novos casos da doença em Americana. A última vez em que foram registrados mais de 40 casos na cidade foi em 2013 – foram 64 notificações naquele ano.

Este ano também contabilizou a maior quantidade de mortes em função da doença – foram três este ano. Desde 2010, quando foram quatro mortes, eram registradas no máximo duas mortes por tuberculose na cidade. Em nota, a Prefeitura de Americana disse que tanto o aumento quanto a queda de casos estão relacionados à realização de campanhas de incentivo ao diagnóstico.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Notificações feitas pela Secretaria de Saúde não incluem casos em centro de detenção

“Trata-se de doença crônica e não aguda, portanto, para saber se o número de casos é esperado ou epidêmico, deve-se observar a incidência ao longo dos anos e não de ano para outro”, disse a prefeitura.

Dificuldades

A professora de Enfermagem da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Michele Campagnoli, afirma que o diagnóstico da doença muitas vezes é prejudicado pelo estigma que ela carrega. “Não são apenas populações muito vulneráveis que se contaminam, como encarcerados e pessoas em situação de rua”, explica.

“Quem circula em ônibus, trabalha em ambiente fechado, também pode pegar, e muitos profissionais falham quando o paciente chega com os sintomas e não pedem o exame do escarro de imediato”, comenta Michele.

Foto: O Liberal
novo quadro

A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível que afeta, prioritariamente, os pulmões. Tem como sintomas tosse prolongada por mais de duas semanas, catarro, febre, cansaço e dor no peito. Neste ano a região soma 170 casos da doença – a maioria em Sumaré (53) e Hortolândia (46).

Responsável pela Vigilância Epidemiológica de Nova Odessa, Paula Mestriner explica que a maior dificuldade para o controle da tuberculose é a demora no diagnóstico.

“As equipes de saúde pensam em diversos problemas de saúde e fazem vários exames antes de chegar no diagnóstico. Nesse meio tempo, o paciente infelizmente acaba transmitindo a doença para várias pessoas. Para evitar esta situação, as equipes das UBSs são constantemente capacitadas para que possam realizar o mais breve possível o diagnóstico”.

Prisões

Na população carcerária, os casos são contabilizados separadamente por tratarem-se de população considerada flutuante. Segundo dados da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária do Estado), foram cinco casos no CDP de Americana, um no Centro de Ressocialização de Sumaré e outros 118 nas unidades prisionais de Hortolândia – 32 do Centro de Progressão Penitenciária; 46 na Penitenciária 2; 24 na Penitenciária 3 e 16 no CDP local.´

Cesta básica serve como estímulo para tratamento

O tratamento para tuberculose consiste na administração de antibióticos durante seis meses. Após as doses aplicadas nos primeiros 15 dias, o paciente já sente melhora e o risco de transmissão diminui. Com isso, muitos acabam abandonando o tratamento, fazendo com que a doença retorne mais forte.

Para estimular os pacientes a aderirem ao tratamento até o fim, prefeituras da região fazem doação de cestas básicas e concentram os remédios nas Unidades Básicas de Saúde para controlar cada dose e evitar o abandono.

As cestas básicas são entregues em Americana, Nova Odessa e Sumaré. O objetivo, além do estímulo, é reforçar a alimentação do paciente para que o organismo dele esteja mais preparado para receber os remédios.

Dos 170 pacientes identificados com tuberculose este ano na RPT (Região do Polo Têxtil), seis abandonaram o tratamento, uma taxa de 3,5%. Para a professora de Enfermagem da Unimep, Michele Campagnoli, o abandono ocorre porque o medicamento provoca reações como queda de cabelo, pele escurecida, coceira e náuseas.

Ela disse que mais importante do que incentivos sociais como a entrega de cestas básicas é a relação entre os profissionais de saúde e o paciente.

“A pessoa chega em jejum na unidade de saúde para poder tomar o remédio, é preciso que o atendimento seja rápido, que o paciente conheça o profissional e vice-versa, que ocorra esse vínculo”, afirma. “A tuberculose é uma doença de séculos e que tem tratamento, mas a taxa de incidência deveria ser menor no Brasil do que é atualmente”.

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