Câmara Municipal avalia projetos de recuperação

Vereadores vão investigar quais obras foram executadas na Gruta Dainese e quanto elas custaram, já que local ainda não foi revitalizado


Uma comissão especial de vereadores vai estudar detalhadamente todos os contratos assinados e identificar quais procedimentos foram executados na prometida revitalização da Gruta Dainese, principal parque de mata urbana da cidade. Ao longo da última década, foram planejadas diversas intervenções para o controle de emissões clandestinas de esgoto e a implantação de projetos urbanísticos e paisagísticos.

Recursos da ordem de R$ 3,2 milhões, provenientes de emenda parlamentar, seriam usados para a instalação de equipamentos esportivos e alamedas, por exemplo. Mas o dinheiro acabou, as obras foram largadas pela metade, e a gleba foi tomada por matagal, lixo e barracos.

Pelos 491 mil metros quadrados, se espalham cinco nascentes, sete quedas d’água, trilhas, trechos de vegetação fechada. No passado, a gruta servia como área de lazer aos moradores da cidade. Mas o rico patrimônio ambiental foi abandonado.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Local se encontra em situação de completo abandono e vereador questiona situação

O requerimento para formação da comissão de estudos, assinado pelo vereador Gualter Amado (PRB), já conta com o apoio de praticamente toda a Casa de Leis. “Será possível saber quais eram as intervenções planejadas, que empresas venceram as licitações, quando cobraram pelo serviço e o que de fato saiu do papel”, explica Gualter.

É certo que Americana perdeu dinheiro. O projeto ambicioso de revitalização – orçado em R$ 12 milhões – seria bancado com recursos do Estado e contrapartidas do município. Ficou acertado que o governo estadual disponibilizaria R$ 8 milhões, em quatro parcelas. Mas só a primeira chegou. Americana mergulhou em uma crise financeira aguda e não tinha mais como honrar o compromisso assumido. Assim, o Estado suspendeu o repasse das três parcelas restantes.

De todas as obras anunciadas no passado, só foi executada a instalação de interceptores de esgoto. A estrutura de esportes e lazer se limitou, basicamente, a um trecho de calçamento para caminhada no entorno do parque. Hoje, o mato chega ao asfalto das ruas do entorno. Portões e alambrados “isolam” áreas usadas como hortas e depósitos de materiais de construção. O entulho se amontoa.

Planejado

O deputado estadual Chico Sardelli (PV), que negociou com o Estado a liberação de recursos para a revitalização do parque, lamenta que a situação grave das finanças do município tenha impedido a execução do projeto. E ele sabe que a prefeitura, hoje, não pode assumir sozinha as despesas e retomar as obras. Chico afirma que agora vai pedir recursos ao Ministério do Meio Ambiente.

“Não importa quanto tempo vai demorar. Precisamos de um planejamento a longo prazo para a recuperação daquele patrimônio”, disse.