Onça-parda é resgatada em árvore no bairro São Vito

Animal selvagem foi visto correndo pela Avenida Antônio Pinto Duarte antes de buscar refúgio no bairro; Operação de captura demorou mais de seis horas


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Uma onça-parda foi resgatada no final da manhã desta sexta-feira (14) de uma árvore no bairro Jardim São Vito, em Americana. Assustado, o animal, que é uma fêmea de 3 anos, precisou de cinco disparos de doses de anestésico para desmaiar e poder ser recolhido pelo Corpo de Bombeiros.

O resgate começou às 7h quando a população acionou as autoridades alertando sobre a presença da onça em uma árvore ao lado da UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro, na Rua Vicente Caravieri.

Segundo relataram os bombeiros, um segurança que não quis se identificar, se deparou com o animal correndo na Avenida Antônio Pinto Duarte, por volta das 6h. Ele havia acabado de deixar a esposa em seu trabalho e estranhou o tamanho do “gato” que estava em disparada em uma das principais avenidas da cidade.

Curioso, o segurança teria começado uma perseguição de carro, o que assustou o animal e o levou a buscar refúgio nas árvores, após correr por seis quarteirões. Segundo a versão do segurança, após perceber que na verdade o gato era uma onça, ele ligou para o Corpo de Bombeiros e para a Polícia Militar.

“Recebemos ligações dos munícipes e a nossa primeira preocupação era isolar a área, porque um animal selvagem assustado é imprevisível. Depois disso acionamos o Instituto Chico Mendes para ajudar na sedagem”, comentou o sargento do Corpo de Bombeiros, Rinaldo Gomes.

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal (8)
Onça-parda foi vista correndo pela Avenida Antônio Pinto Duarte por volta das 6h

Resgate

O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) deslocou uma equipe especial, do projeto Corredor das Onças, para fazer a captura do animal. Em seis horas de resgate, foram necessaários cinco aplicações de anestésicos, disparados de um rifle, dois deles com dose completa e três de “raspão”, antes que o animal ficasse totalmente sedado.

Lonas de proteção foram armadas para tentar recolher a onça em caso de queda, mas o animal ficou preso entre os galhos e os bombeiros precisaram subir até e trazê-lo no colo até o solo. Um caminhão especial, com escada, foi usado durante o resgate.

Paradeiro

A analista ambiental do ICMBio, Márcia Gonçalves Rodrigues, explicou que a onça aparentava ter se alimentado recentemente, o que fez com que resgate demorasse. “Ela pode ter comido aves, como gansos, por exemplo, e por isso a população desta região que der falta de algum bicho de estimação pode ligar para o instituto para informações que nos ajudem a traçar o caminho por onde ela passou”, sugeriu Márcia.

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal (13)
Após passar por exames na sede do ICMBio, felino será solto em uma mata da região

Depois de recolhida, a onça foi analisada pelos pesquisadores que notaram pequenos ferimentos nas patas, ocasionados pela corrida no asfalto quente. A onça foi levada para a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), sede do projeto Corredor das Onças, onde seria pesada e receberia um colar de monitoramento.

“Nós desconfiamos que esta onça seja original das margens do Rio Piracicaba e que usa este espaço para se locomover também para o Rio Atibaia. Este bairro do São Vito está a pouco menos de seis quilômetros do rio. Para uma onça, esta distância não é nada”, explicou a analista do ICMBio. A previsão é que a onça seja solta na noite deste sábado, em uma área de floresta.

Região de Campinas tem 15 onças

Fazendo um alerta à população, a analista do ICMBio, Márcia Gonçalves Rodrigues, diz que vivem nos entornos de Campinas atualmente, cerca de 15 onças-pardas. Ela explica que 11 delas, desde 2015, receberam colares de identificação e participam de um projeto de identificação dos hábitos das chamadas “onças urbanas”, ou seja, aquelas que têm entrado em bairros e áreas com alta densidade demográfica para se alimentar.

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal (22)
Analista ambiental explica que cerca de 15 animais monitorados vivem na região e eventualmente podem aparecer em áreas urbanas

“Quatro delas, que estavam com colares, foram mortas só ano passado por caçadores. Duas em Amparo, uma em Campinas e outra em Santo Antônio de Posse”, lamentou. “Além, lógico, do desmatamento e da invasão do território delas, temos percebido que muitas estão vivendo e procriando nos canaviais. Antes, com as queimadas frequentes desta cultura elas acabavam morrendo com o fogo. Hoje, com a fiscalização maior contra queimadas elas ficam mais próximas de nós”, explicou a analista.

Outro caso

Em outubro do ano passado, Americana já havia se mobilizado para capturar uma onça. Na sede da empresa Unitika, no Jardim Boer, um macho adulto, de 51 quilos, também foi resgatado pelo ICMBio. A operação também demorou seis horas, uma vez que o animal havia entrado na tubulação de água da empresa tentando escapar.