Tiroteio mata agente penitenciário em obra do Minha Casa, Minha Vida

Servidores faziam bico de segurança no Jardim Terramérica, em Americana; polícia investiga hipótese de desentendimento entre eles


A Polícia Civil investiga a morte do agente penitenciário Vinicius Runicche de Aguiar, de 27 anos, baleado na noite deste domingo, em um canteiro de obras do Programa Minha Casa, Minha Vida, na Rua Francisca Coral Chiquinho, no Jardim Terramérica, em Americana.

Ele fazia “bico” de segurança com outro colega – também agente penitenciário – e ambos teriam sido surpreendidos por um homem armado, por volta das 22 horas. A investigação, porém, também cogita um suposto desentendimento entre os dois.

De acordo com a Polícia Civil, o agente penitenciário R. G. A., de 49 anos, que trabalhava junto com a vítima na obra. Um homem teria invadido o local e disparado contra Vinicius. Ao revidar, o agente penitenciário atingiu R. acidentalmente nas costas.

Mesmo ferido, R. afirmou ter corrido atrás do suspeito e atirado em sua direção. Ele não soube dizer, no entanto, se o criminoso foi atingido. Depois do ocorrido, R. entrou em contato com um amigo, também agente penitenciário, que seguiu para o canteiro de obras.

Vinicius foi atingido no peito e chegou a ser socorrido pela equipe de resgate do Corpo de Bombeiros, mas morreu a caminho do hospital. O colega dele, R., foi levado para o Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi e recebeu alta na manhã desta segunda-feira.

HIPÓTESES. As armas pertencentes a Vinicius e R., uma pistola calibre 380, foram recolhidas pela perícia criminal e apreendidas. Elas estavam municiadas com 15 e 13 cartuchos intactos, respectivamente.

A polícia, entretanto, trabalha com pelo menos duas linhas de investigação. O boletim de ocorrência diz que “a hipótese de latrocínio [roubo seguido de morte] não está descartada, nem a de homicídio por outro motivo, como uma eventual desavença entre ambas as vítimas”.

O delegado Antônio Donizete Braga, titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Americana, que investiga o caso, limitou-se a dizer que foi instaurado inquérito e que ambas as versões serão apuradas.

A reportagem do LIBERAL esteve no canteiro de obras na manhã desta segunda-feira e em conversa com funcionários, descobriu que a troca de tiros ocorreu dentro de um container onde funcionava um refeitório.

Trabalhadores falaram também sobre a suspeita de ambas as vítimas terem se desentendido entre elas, sem a presença de uma terceira pessoa. Eles, argumentaram, no entanto, que nunca presenciaram ou souberam de nenhuma desavença envolvendo os agentes.

A MRV Engenharia, responsável pela obra, não informou há quanto tempo as vítimas trabalhavam no local nem como se algo foi levado. Por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa, disse apenas que se “solidariza com a situação e que está em contato com a empresa de vigilância responsável para oferecer todo o suporte necessário à família”.

‘LAMENTÁVEL’. Os dois agentes penitenciários trabalham no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Americana e prestavam serviço de vigia nos seus horários de folga, o que seria irregular, segundo a SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária).

De acordo com a pasta, o agente de escolta e vigilância penitenciária está impedido de exercer outras funções remuneradas. A secretaria classificou o episódio de “lamentável” e informou que o caso também é investigado pela Corregedoria Administrativa do Sistema Penitenciário.