58 frentistas são demitidos em 6 meses na região

Cortes na região dão consequência da queda no movimento, motivada pelos aumentos nos preços da gasolina e do etanol


Os postos de combustível de Americana e região demitiram 58 frentistas desde julho, quando houve o reajuste que mais que dobrou as alíquotas de PIS/Cofins. Os cortes ocorreram devido à queda no movimento, motivada pelos constantes aumentos no preço da gasolina e do etanol, segundo empresários do ramo e o Sinpospetro Campinas (Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Campinas e Região).

O dado se refere ao período de julho a dezembro e foi divulgado pelo sindicato, com base nas homologações realizadas na subsede de Americana. A unidade também atende trabalhadores de cidades próximas, como Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré.

O diretor da subsede, Francisco Junior Tavares Correia, acredita que o cenário pode piorar ainda mais. “A crise estava há mais tempo, mas, depois da mudança, os preços ficaram difíceis. A gente nota que não vai parar por aí. Achamos que haverá mais demissões ainda”, afirmou.

O presidente do Sinpospetro, Francisco Soares de Souza, apontou que o número de demissões tem aumentado a cada mês. Somente nos últimos três meses, houve 44 dispensas na região de Americana. “É preocupante porque os trabalhadores ficam desempregados e não tem outro campo para eles trabalharem. A família vai passar necessidade”, lamentou.

Foto: João Carlos Nascimento-O Liberal
Movimento caiu com combustível mais caro o que provocou as demissões na RPT

Em um posto do Frezzarin, a quantidade de frentistas caiu de 7 para 5 nos últimos 6 meses, de acordo com Paulo Carrano, de 54, um dos proprietários. Ele disse que o movimento despencou 40% no ano passado em relação a 2016.

A crise também atingiu o setor administrativo do estabelecimento, que perdeu dois funcionários e ficou com apenas um. Devido à situação, a esposa de Paulo, Jaqueline Carrano, de 45 anos, passou a trabalhar no local. Anteriormente, ela fazia os serviços de casa.

“Folha de pagamento é sempre o que onera muito e é o que conseguimos cortar. E diminuir compra, estoque. O que dá para cortar a gente corta. Não consigo manter um estoque alto de combustível, por exemplo.
Vamos comprando conforme a necessidade”, disse Jaqueline.

REFLEXOS. Em um estabelecimento do São Vito houve a redução de 14 para 12 frentistas. “Nunca passamos uma crise tão violenta como esta de agora”, ressaltou Gugliardo Ardito, que administra o local há quase 33 anos. “Estamos com previsão de, se não melhorar, teremos de demitir mais funcionários”, acrescentou. Ele relatou que, no posto, o preço da gasolina subiu de R$ 3,20 para R$ 4 nos últimos seis meses.

Dispensado de um posto de Nova Odessa em novembro, Rodinei Aparecido Ortiz de Oliveira, de 48 anos, ressaltou que já esperava por isso. “Deu uma queda lá no serviço”, destacou. Ele trabalhou por quatro anos no estabelecimento.

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