‘Rio não se sobressai quando o tema é práticas de corrupção’, diz procurador

Os esquemas de corrupção identificados pelo braço da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal do Rio, que levaram à…


Os esquemas de corrupção identificados pelo braço da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal do Rio, que levaram à prisão o ex-governador Sergio Cabral, ocorrem em outros Estados, afirmou nesta quinta-feira, 7, o procurador da República Eduardo El Hage, integrante da força-tarefa.

“O Rio de Janeiro de forma alguma se sobressai quando o tema é práticas de corrupção”, disse El Hage, em palestra no “II Fórum: a mudança do papel do Estado: estratégias para o crescimento”, promovido pela Fundação Getulio Vargas, em parceria com a Universidade Columbia.

O procurador destacou que já trabalhou nas Procuradorias Regionais da República de outros Estados, como Mato Grosso do Sul, Tocantins e Bahia. Segundo El Hage, em todos os casos de corrupção no qual trabalhou, “os modus operandi era muito parecido e semelhante”.

“O que conseguimos aqui no Rio foi desmantelar uma organização criminosa instalada há muito tempo”, disse El Hage, completando que isso foi por causa de modernas técnicas de investigação e mudanças na lei, fortalecendo o instrumento da delação premiada. “Não tenho dúvida que em outros Estados a situação se repete e daí para pior”, completou El Hage.

Para El Hage, o caso fluminense pode ter sido tão grave por causa dos investimentos para eventos como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

O procurador destacou que o Rio está mais à frente em termos de investigações de esquemas de corrupção na esfera estadual, à frente inclusive do Paraná, cuja Procuradoria Regional da República começou a Lava Jato. “O Rio está na vanguarda”, disse El Hage, destacando que o trabalho ainda não terminou. “2018 vai haver muito mais coisa por aí. O trabalho é imenso”, disse El Hage.

Perseguição política

O procurador afirmou também que não há perseguição política na atuação das investigações sobre corrupção. “Aqui no Rio não houve qualquer acusação a respeito de perseguição. Talvez por falta de militância do PMDB, porque seguimos as mesmas práticas (da força-tarefa da Lava Jato) de Curitiba”, afirmou.

El Hage lembrou ainda que, mesmo depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, duas denúncias contra o presidente Michel Temer foram feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Miller

O procurador afirmou ainda que o caso do ex-procurador Marcelo Miller, investigado por supostas irregularidades no processo de delação premiada de executivos do frigorífico JBS, foi pontual. O procurador destacou, porém, que o caso está sendo investigado pelo próprio MPF.

“É um sinal de que não se fechou os olhos para práticas indevidas”, afirmou El Hage. “Por um lado é ruim, por outro é um sinal saudável de que a instituição está investigando os próprios pares”, completou El Hage.

Segundo o procurador, isso não é comum em outras instituições, como o Judiciário, onde muitas irregularidades são relevadas. El Hage evitou fazer comentários sobre a negociação do acordo de delação premiada, mas disse que “foi um processo de colaboração que deixou a desejar e poderia ter sido melhor executado”.

Notícias sobre a região, Brasil e o mundo em um clique. Receba nossa newsletter