Preso na operação Patmos é afastado do reduto político dos procuradores

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) informou nesta quinta-feira, 18, que afastou de sua diretoria o procurador Ângelo…


A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) informou nesta quinta-feira, 18, que afastou de sua diretoria o procurador Ângelo Goulart Villela, preso pela Polícia Federal na Operação Patmos. O procurador é suspeito de negociar propina para vazar informações de investigações sobre a JBS. Ele comandava a Diretoria de Assuntos Legislativos da entidade.

A ANPR é o reduto político dos procuradores. Mais que uma associação de classe, ela tem papel histórico nos rumos do Ministério Público Federal.

A cada dois anos, ANPR promove a estratégica eleição da lista tríplice para procurador-geral da República. Desde o primeiro governo Lula, o preferido dos procuradores – primeiro colocado na lista -, tem sido o escolhido para o posto mais importante da Instituição.

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Para a entidade, a prisão do procurador demonstra que qualquer investigação do Ministério Público Federal é impessoal e respeitadora do estado de direito.

“As apurações têm de prosseguir sempre, independentemente dos envolvidos”, afirma a ANPR, em nota subscrita pelo presidente da entidade, José Robalinho Cavalcanti.

“O cumprimento do mandado de prisão foi executado por membros do MPF com o apoio da Polícia Federal. O procurador da República Ângelo Goulart Villela já foi exonerado da função eleitoral pelo Procurador-Geral da República e também afastado da Diretoria da ANPR.”

Conforme a delação de Joesley Batista, acionista do grupo, e outros elementos de prova colhidos pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o esquema teria envolvido a negociação de pagamentos de R$ 50 mil mensais a Villela, que integrava a equipe do vice-procurador geral Eleitoral, Nicolau Dino.

Recentemente, o procurador estava cedido à força-tarefa das Operações Greenfield, Cui Bono e Sépsis, que apura crimes relacionados à JBS.

Joesley e os outros delatores da JBS teriam entregado provas de que o procurador repassou dados das apurações em curso aos investigados.