Países barram temporariamente carne do Brasil

A União Europeia, uma das principais compradoras da carne brasileira, anunciou restrições à compra do produto após o início da Operação Carne Fraca


A Operação Carne Fraca, que investiga um esquema de corrupção na fiscalização de frigoríficos, já repercute no comércio exterior. Na manhã desta segunda (20) o governo da Coreia do Sul anunciou que vai aumentar a fiscalização sobre a carne de frango importada do Brasil e que vai suspender temporariamente as vendas de produtos de frango da BRF, maior produtora de carne da ave do mundo.

O Brasil é o maior fornecedor de carne de frango para a Coreia do Sul. Segundo a agência de notícias Reuters, mais de 80% das 107.400 toneladas importadas pelo país asiático em 2016 vieram do Brasil. Quase metade disso foi vendida pela BRF, que diz que não ainda foi notificada da decisão.

Já a Comissão Europeia, braço Executivo da União Europeia, pediu na segunda-feira (20) que as autoridades brasileiras suspendam as empresas exportadores investigadas pela Polícia Federal.

O pedido foi feito para efeito imediato, segundo Enrico Brivio, porta-voz para assuntos de segurança alimentar. “Era importante agir no momento”, disse à reportagem. “Queremos ter certeza de que apenas a carne com o controle apropriado chegará ao mercado europeu.”

A União Europeia também pediu que todos os seus Estados-membros incrementem o monitoramento da carne brasileira que chegue ao bloco econômico -um representante da Comissão Europeia afirmou que isso é de praxe nessas situações.

Ainda de acordo com a Reuters, a China também suspendeu temporariamente as importações de carne brasileira desde domingo (19).

Na América do Sul, o Ministério da Agricultura do Chile também anunciou que vai barrar temporariamente importações de carne do Brasil.

REAÇÃO
O ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) criticou a PF por “erros técnicos” cometidos na Operação Carne Fraca, que levou o presidente Temer a convocar uma reunião de emergência no Palácio do Planalto neste domingo (19).

O governo tentou minimizar o caso e rebater os argumentos técnicos da PF. Três pontos foram contestados: o uso de ácido considerado cancerígeno na mistura de alimentos, a utilização de papelão em lotes de frango e de carne de cabeça de porco.

OUTRO LADO

A BRF disse que não foi notificada de nenhuma suspensão de importação de carne brasileira pela Coreia do Sul e União Europeia em razão da Operação Carne Fraca.

“Diferentemente do que vem sendo noticiado, a BRF informa que não recebeu nenhuma notificação oficial das autoridades brasileiras ou estrangeiras a respeito da suspensão de suas fábricas por países com os quais mantém relações comerciais, incluindo Coreia do Sul e União Europeia”, informou a empresa, em nota enviada à imprensa.

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