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Tensão com quadro político aumenta e Bovespa fecha em queda de 3,88%

A aversão ao risco em função do quadro político agravou-se na tarde desta quinta-feira, 1, levando a bolsa a ampliar…


A aversão ao risco em função do quadro político agravou-se na tarde desta quinta-feira, 1, levando a bolsa a ampliar as perdas para mais de 4% e a renovar mínimas, perdendo o patamar dos 60 mil pontos. As ações passaram por forte liquidação, encabeçada por investidores estrangeiros e motivada principalmente pelos riscos à governabilidade. O exterior, com queda nas bolsas e escalada dos juros dos Treasuries, também pesou. Entre os papéis, nem Vale nem Petrobras sustentaram os ganhos iniciais inspirados pelas altas fortes dos preços do minério e do petróleo e fecharam em baixa firme. O setor financeiro, que já era destaque negativo na primeira etapa, acentuou as perdas na jornada vespertina. Poucas ações fecharam no azul, entre elas de companhias exportadoras que se favoreceram do avanço do dólar.

Neste 1º de dezembro, a Bovespa fechou aos 59.506,54 pontos (-3,88%), menor patamar desde 11/11/2016, três dias após a eleição de Donald Trump nos EUA, quando marcou 59.183,50 pontos. Em termos porcentuais, foi a maior queda desde 2/2/2016 (-4,87%). Na mínima, atingiu 59.058 pontos (-4,60%) e na máxima, 61.911 pontos (+0,01%). O volume somou R$ 11,887 bilhões. Em 2016, a bolsa tem ganho acumulado de 37,27%.

O economista da Modal Mais, Álvaro Bandeira, disse que hoje foi um dia típico de “mercado de saída”, no qual os investidores buscam realizar lucros rapidamente em papéis mais líquidos, como as blue chips.

As mínimas da bolsa se deram na hora final dos negócios, na medida em que iam aumentando os votos por aceitação de denúncias contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF). O mercado vê ameaças à aprovação das reformas que estão para serem votadas no Senado, em curtíssimo prazo o segundo turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Teto dos Gastos. Até as 18 horas, cinco ministros haviam se posicionado a favor do recebimento da denúncia por peculato, bastando que apenas mais um dos seis apresentasse o mesmo entendimento para abrir a ação penal.

Renan está ainda em outra enrascada, que é o imbróglio envolvendo o Judiciário, depois de ter aprovado ontem regime de urgência para a votação do pacote anticorrupção que fora desfigurado pelos deputados na madrugada de quarta-feira.

Entre os segmentos da bolsa, um dos mais penalizados foi o de bancos, não somente por serem papéis de alta liquidez, mas também pelo noticiário sobre a Operação Zelotes, que investiga um esquema de manipulação em processos e julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). A 8ª fase deflagrada hoje envolve o Itaú Unibanco, que admitiu que Polícia Federal fez diligência em suas dependências, mas para buscar documentos relativos a processos tributários do BankBoston. De todo modo, o papel PN caiu 4,55%. O índice financeiro da bolsa encerrou com perda de 4,97%.

Revista L – BC.1
Liberal Motors – BC

Apesar da escalada dos preços do minério de ferro, de mais de 8%, e do avanço do dólar, somente Vale ON fechou no azul (+1,46%). A PNA caiu 0,98%. A alta do petróleo ajudou os papéis da Petrobras em parte da sessão, mas no meio da tarde a ação sucumbiu e fechou em baixa de 3,50% (PN) e de 1,41% (ON). O barril do tipo WTI para janeiro na Nymex terminou com ganho de 3,27%, a US$ 51,06.

Apenas três papéis fecharam em alta: Embraer ON (+2,11%), Fibria ON (+1,74%) e Vale ON (+1,46%).

Em Wall Street, houve reforço nas apostas de uma política monetária mais apertada após indicadores positivos hoje da atividade, nesta véspera da divulgação do payroll de novembro. Perto das 18h, o S&P 500 recuava 0,34% e o Nasdaq, 1,30%, enquanto o Dow Jones subia 0,33%.