Escola ensina o ‘faça você mesmo’

Little Maker, empresa de Americana com unidades em Campinas e Indaiatuba, busca desenvolver habilidades das crianças


Nos últimos anos, uma nova forma de aprendizado tem ganhado destaque dentro das escolas: é a cultura conhecida como “maker”, ou do “faça você mesmo”. Ainda bastante tímido no Brasil, esse movimento já tem muitos adeptos nos países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos. Mas vem ganhando representantes por aqui, como o engenheiro Diego Thuler, que abraçou a ideia e criou em Americana a Little Maker, uma escola diferente e que busca usar da metodologia para desenvolver habilidades básicas.

“É importante diferenciar a questão do ‘maker’ da robótica. Nos EUA, já não se fala muito em robótica e, sim, no movimento ‘maker’ na educação. O termo vem da questão do faça você mesmo, da mão na massa, que tem um viés mais cultural, uma criação mais livre. Na robótica, os alunos seguem uma apostila. A essência do ‘maker’ é diferente, a criança precisa se esforçar, persistir, errar, se dedicar”, explicou.

Criada no fim de 2014, a Little Maker ganhou duas novas unidades – em Campinas e em Indaiatuba – e conta com cerca de 150 alunos. O engenheiro deixou de lado a sociedade que tinha em uma empresa em Campinas para apostar na sua empreitada, e deu certo. “Eu era sócio de uma empresa em Campinas e comecei com a escola de Americana, dando aula apenas aos sábados. Mas fui me envolvendo e me apaixonando e não conseguia mais focar na outra empresa, então vendi a minha parte e me dediquei 100% à Little Maker”, lembrou.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
A criança precisa se esforçar, persistir, errar, se dedicar, explica o engenheiro Diego Thuler

O objetivo da escola é espalhar a cultura “maker” no país e torná-la mais conhecida. “É um desafio, essa cultura cresceu do ano passado para cá, mas, mesmo assim, ainda não é uma coisa difundida. Para os pais, isso ainda é novidade, então também tenho o trabalho de explicar, mostrar e qual o impacto dela. No futuro, a questão estará cada vez mais integrada ao currículo das escolas”, apontou.

FUNCIONAMENTO
Mas como funciona o movimento maker? Thuler explica: “Nossa metodologia se preocupa em não passar mais conteúdo, nós nos preocupamos em desenvolver habilidades. A criança tem sua ideia e passa por todo o processo de desenvolvimento dessa ideia, montando o projeto, testando, errando. Errar é muito importante e hoje nós temos um sistema de ensino que penaliza o erro. Usamos muito a matemática, física, coisas que as crianças já aprendem na escola. Então, não damos mais conteúdo, e sim, um significado, um sentido a esse conteúdo que a criança aprende na escola”.

Importância da sustentabilidade do ‘maker’
Além de ressaltar habilidades importantes como a criatividade e o pensamento lógico, a cultura maker também aponta para outra vertente: a sustentabilidade. O movimento “maker” aposta na transformação dos materiais. “Utilizamos muito material reciclável. É o grande diferencial da cultura ‘maker’, para as crianças terem um contato com as coisas que podem ser reusadas e para mostrar que o lixo não é bem lixo, ele pode ter um sentido”, ressaltou o engenheiro Diego Thuler, que criou em Americana a Little Maker, uma escola diferente e que busca usar da metodologia para desenvolver as habilidades básicas das crianças.

Segundo ele, a robótica não traz muita liberdade de criação – um dos principais pontos fortes do movimento “maker”. “Quando você trabalha com kits eletrônicos, a criança não cria de verdade. Ela fica presa àquele modelo. Aqui não, tudo pode ser construído. É muito comum os pais darem feedback falando que a criança quer refazer coisas em casa, e aprende que tudo pode ser transformado. Ou seja, reforçamos a criatividade, que é algo importante na infância”, explica Diego.

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