‘O mundo real é mais complicado que o virtual’

Se quiser encontrar Luiz Barroso num final de semana pela manhã, não tente achá-lo na sede do Google, em Mountain…


Se quiser encontrar Luiz Barroso num final de semana pela manhã, não tente achá-lo na sede do Google, em Mountain View, nos Estados Unidos, onde ele trabalha há 16 anos. É mais provável que o brasileiro tenha acordado bem cedo e esteja em silêncio em algum lugar no quintal de sua casa, observando os pássaros. Fotografar aves e outros animais virou sua grande paixão nos últimos anos. “Muita gente prefere o mundo virtual hoje”, contou Barroso, em entrevista exclusiva ao Estado no escritório do Google, em São Paulo, durante uma rápida visita ao Brasil. “Eu gosto do mundo de verdade.”

Foi a vontade de explorar o mundo que levou Barroso a se mudar para os Estados Unidos há mais de 20 anos, uma decisão que, em 2001, o levou a se tornar engenheiro de software do Google. Ele foi o primeiro brasileiro contratado pelo gigante das buscas. Nos últimos dois anos, depois de alçar uma das principais posições técnicas na empresa, Barroso assumiu um novo desafio: liderar os esforços da empresa norte-americana em mapas, tomando a frente da equipe de mais de 800 pessoas que cuida da busca local e das plataformas Google Maps e Earth. O período, diz ele, tem sido de intenso aprendizado. “O mundo real é mais complicado que o virtual”, afirma Barroso.

“Eu fiz doutorado em uma universidade nos EUA e acabei ficando lá para trabalhar na Digital Equipment (DEC), uma empresa que foi comprada pela Compaq e depois pela HP. Eu projetava microprocessadores. Em 2001, dois colegas tinham ido para o Google. Eles ficavam dizendo que eu tinha de ir também, mas eu me perguntava o que ia fazer numa empresa de software. Eu estava longe de ser um engenheiro de software”, afirmou.

“Em 2001, o Eric Schmidt (ex-presidente executivo do Google) me dizia que o Google iria se sair muito bem, que a empresa faturaria muito dinheiro. Eu não acreditava em nada disso (risos). O Google era o quinto buscador, não havia um modelo de negócio viável ainda. Eu achava que ia trabalhar uns dois anos na empresa e ela poderia falir. Já estou lá há quase 16 anos, os dois últimos liderando a área de geolocalização.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.