Juros caem com melhora da percepção de risco local e otimismo no exterior

Os juros futuros fecharam nesta quarta-feira, 3, em baixa, em sintonia com os ajustes positivos no câmbio e na Bolsa…


Os juros futuros fecharam nesta quarta-feira, 3, em baixa, em sintonia com os ajustes positivos no câmbio e na Bolsa domésticos, reflexo da permanência da avaliação melhor do cenário interno e do otimismo nos mercados internacionais. O ajuste foi menor que o registrado na terça, mas mais concentrado nos contratos de longo prazo, justamente os considerados percepção de risco. Ainda, esteve em linha com a queda do Contrato de Default Swap (CDS) de cinco anos ao menor patamar desde novembro de 2014.

Ao explicar a queda das taxas longas, um gestor destacou a inclinação elevada da curva a termo, com o diferencial entre os contratos para janeiro de 2021 e de 2025 superando 135 pontos-base, “na máxima histórica”, enquanto a média dos últimos anos é de 25 bps. “Com a virada do ano, voltou a aumentar o fluxo de estrangeiros e os locais também aumentaram o risco de seus ‘books'”, afirmou. “O cenário externo favorável e perspectiva de condenação de Lula no TRF-4 animam os mercados”, justificou.

A “boa notícia” da possibilidade de um resultado fiscal melhor – déficit fiscal das contas do setor público entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões abaixo da meta de R$ 159 bilhões, informado em coluna da jornalista Adriana Fernandes da última sexta-feira – e o ambiente externo favorável concorreram para o movimento dos DIs longos, de acordo com operadores nas mesas de renda fixa.

Nos DIs de curto e médio prazos, disse o gestor citado mais acima, “o balanço de riscos para o BC ficou mais favorável, com reajuste de 1,8% do salário mínimo, bandeira verde e perspectiva de queda adicional do IPCA 2018 no boletim Focus”. A curva precificava à tarde 34 bps de queda da Selic no primeiro semestre, o que equivale a 27 bps em fevereiro e 7 em março, nos cálculos do profissional.

Gallina, da Quantitas, destacou que, assim como na véspera, a sessão foi marcada pela realocação de ativos de players locais. No fim do ano passado, lembrou, fundos como multimercados e de ações haviam reduzido posições arriscadas diante da ameaça, por exemplo, de um revés no Congresso – caso a votação da reforma da Previdência fosse pautada e a proposta, rejeitada. “Havia um apetite contido desde o fim do ano passado que parece que está tomando forma. No primeiro pregão de 2018, ontem, e hoje vimos uma realocação no espaço que players locais haviam deixado no fim do ano passado”, detalhou.

Na sessão estendida, a resposta das taxas à ata do Federal Reserve foi praticamente nula. Segundo um operador, o documento veio dentro do esperado. A ata trouxe, entre outras informações, que “os dirigentes veem a possibilidade de que inflação baixa possa diminuir ritmo de aperto monetário”.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 caiu de 6,805% no ajuste de terça para 6,780% no fim da sessão estendida. A do DI com vencimento em janeiro de 2020, de 7,93% para 7,94%. No DI para janeiro de 2021, a taxa projetada foi de 8,85%, de 8,88% no ajuste anterior. E no contrato para janeiro de 2023, de 9,76%, ante 9,80% no ajuste da véspera.

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