Bovespa encosta nos 63 mil pontos e fecha com alta de mais de 2%

Mesmo com as bolsas americanas em queda, o Ibovespa começou a semana em alta firme, encostando nos 63 mil pontos…


Mesmo com as bolsas americanas em queda, o Ibovespa começou a semana em alta firme, encostando nos 63 mil pontos nesta segunda-feira, 28, e no nível mais elevado desde o dia 9 de novembro, após a divulgação do resultado da eleição nos EUA. Os argumentos para o justificar o avanço, que se consolidou somente no período da tarde, foram o bom desempenho das commodities, que ajudou papéis da Petrobras, Vale e siderúrgicas, e também o avanço do setor financeiro. A notícia de que os líderes do Executivo e Legislativo fecharam um acordo para barrar a anistia ao caixa 2 no pacote anticorrupção foi considerada positiva, mas não a ponto de dissipar as incertezas do quadro político.

O Ibovespa fechou com 62.855,49 pontos, alta de 2,11%. Na máxima, já nos ajustes finais, marcou 62.934,36 pontos (+2,23%). Na mínima, caiu 0,52%, aos 61.240 pontos. O volume somou R$ 6,452 bilhões. Com o resultado, as perdas no mês foram reduzidas de -5,18% para -3,19%. Em 2016, a bolsa tem ganho de 45,00%. Em Nova York, às 18h23, Dow Jones caía 0,21% e S&P 500 cedia 0,38%, após na semana passada terem renovado recordes de pontuação.

“O cenário político e econômico não inspira muita confiança. O resto são boas notícias corporativas e as commodities”, resumiu o operador da mesa institucional da Renascença, Luiz Roberto Monteiro, para explicar a bolsa.

Após uma manhã de instabilidade, alternando pequenas altas e baixas, a bolsa ganhou tração à tarde, quando os preços do petróleo aceleraram o avanço. O desempenho da commodity, por sua vez, esteve atrelado à expectativa para a reunião da Opep, na quarta-feira, em torno do fechamento de um acordo para corte da produção. O petróleo WTI na Nymex fechou com valorização de 2,21%.

As ações da Petrobras se beneficiaram dos ganhos do petróleo, mas não subiram no mesmo ritmo. Petrobras PN e ON fecharem com altas de 1,05% e 0,28%, respectivamente. Alguns players também adotaram alguma cautela sobre um possível acordo na reunião da Opep, pelo histórico de não cumprimento das cotas pelos produtores.

Em compensação, as ações da Vale começaram a semana ampliando os ganhos já exuberantes das últimas sessões. Não somente o preço do minério avançou de novo (1,3%), como também animou o mercado a expectativa de que a companhia pode anunciar amanhã, em encontro com investidores e analistas em Nova York (Vale Day), que não vai se desfazer mais de ativos, e que deve distribuir dividendos. Vale PNA encerrou em +6,34% e Vale ON, +7,30%.

Liberal Motors – BC
Revista L – BC.1

Ajudou ainda a carregar a bolsa o setor financeiro, que subiu em bloco. O índice financeiro avançou 1,79%. O destaque foi BB ON (+4,60%), após o presidente do banco, Paulo Rogério Caffarelli, afirmar que vai continuar perseguindo a redução de custos operacionais na instituição. Itaú Unibanco ON avançou 2,12%.

A expectativa pela agenda da semana e o cenário político incerto são vistos como limitadores para um volume mais expressivo na bolsa. Até chegou a trazer alívio a notícia de que o presidente Temer, e os presidentes do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (PMDB-RJ) fecharam acordo para barrar a anistia ao caixa 2, que vinha sendo discutida, pelos parlamentares.

Mas ainda há muitas incertezas no radar. Manifestações contra o presidente estão em andamento – ontem em São Paulo e outra programada para amanhã em Brasília. Ainda, o PSOL protocolou hoje pedido de impeachment de Temer com base nas denúncias feitas pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, o que ainda é tratado como um evento de baixo risco mas, de todo modo, no mínimo, adiciona ruído. Por fim, há bastante receio sobre o que pode surgir da delação premiada dos executivos da Odebrecht.