Suspeito de acorrentar e matar ativista social diz que ‘amava’ a vítima

Casada e mãe de um menino de 12 anos, Simone fazia trabalho social e religioso para a Igreja Adventista do Sétimo Dia


Foto: Reprodução - Facebook
A polícia acredita que a vítima tenha sofrido violência sexual, mas os exames ainda não ficaram prontos

Um homem de 64 anos suspeito de acorrentar a uma cama, estuprar e matar com golpes de marreta a ativista social Simone Moura Facini Lopes, de 31 anos, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, guardava uma foto da mulher com uma dedicatória em que declarava seu amor por ela. “A Simone é muito boa, eu amo muito a Simone”, escreveu, dois dias antes do assassinato.

A foto foi achada nesta terça-feira, 14, pela Polícia Civil na casa do suspeito, onde aconteceu o crime. A mensagem no verso traz ainda referência aos atributos físicos da mulher e a assinatura do suspeito: Francisco Lopes Ferreira.

Ele está foragido desde que o corpo da ativista foi encontrado em sua chácara no Jardim Planalto, no dia 12 de março. Casada e mãe de um menino de 12 anos, Simone fazia trabalho social e religioso para a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ela dava aulas de alfabetização por meio de textos bíblicos de forma voluntária a adultos analfabetos, entre eles o suspeito.

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Naquele domingo, por volta de 11 horas, ela avisou aos familiares que ia até a chácara e não retornou. O corpo foi encontrado às 22 horas, depois que um lavrador de 47 anos, caseiro de Ferreira, telefonou para a polícia. Ele disse ter entrado em casa e se deparado com uma cena de horror.

A mulher estava seminua, amarrada à cama pelas mãos e pés com correntes e cadeados, e com a cabeça deformada pelos golpes de uma marreta, encontrada no local. Havia sangue pelo quarto e nas paredes. A polícia acredita que a vítima tenha sofrido violência sexual, mas os exames ainda não ficaram prontos. A investigação revelou que os dois homens que moravam na chácara tinham cumprido penas por crimes sexuais.

Ferreira foi condenado pelos estupros de duas mulheres e uma criança cometidos entre 1995 e 1998, no Rio de Janeiro e nas cidades paulistas de Cruzeiro e Caçapava. Ele ficou preso no Centro de Detenção Provisória de São Paulo e na Penitenciária de Avaré, estando em liberdade desde 2014. Na cadeia ele conheceu o lavrador que também cumpria pena por estupro e, após saírem da prisão, convidou-o para ser caseiro na chácara.

De acordo com o delegado Alceu Lima de Oliveira Junior, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a foto indica que o suspeito se apaixonou pela mulher que, no entanto, o via apenas como uma pessoa a ser ajudada.

“Ele pode ter cometido o crime por nutrir desejo pela moça e não ser correspondido”, disse.

Analfabeto

O policial disse que vai analisar a dedicatória da foto, pois as frases não aparentam terem sido escritas por um idoso em processo de alfabetização. Uma das hipóteses é de que ele fingisse ser analfabeto para receber a atenção da ativista.

“O que pesa mais contra o suspeito é o fato dele ter sumido após o crime, mas estamos no seu encalço.”

Segundo o delegado, o lavrador que achou o corpo alegou ter passado aquele dia em Bady Bassit, cidade vizinha, o que foi confirmado por seus familiares.

O corpo de Simone foi sepultado nesta terça-feira, no Cemitério São João Batista, em Rio Preto.

Homenagens. Procurados, os familiares da vítima não quiseram se manifestar. Amigos disseram que a família está muito abalada. Sua página na rede social Facebook foi transformada em memorial e traz mensagens de amigos.

A Igreja Adventista divulgou nota informando que sua liderança e a comunidade estão prestando apoio emocional e espiritual à família.

“Apesar de a igreja local não manter oficialmente qualquer programa ou ministério de alfabetização de adultos, reconhece o bem praticado em todas as suas formas aos menos favorecidos. Vê bondade no empenho de Simone em, voluntária e individualmente, auxiliar alguém na alfabetização”, diz a nota.