Publicitário troca embreagem pelos pedais

[\vid]O uso de bicicletas no dia a dia da população se tornou nos últimos anos uma […]


[\vid]O uso de bicicletas no dia a dia da população se tornou nos últimos anos uma das principais bandeiras defendidas por ambientalistas e governantes na luta para reduzir os índices de poluição e tirar das vias urbanas carros muitas vezes ocupados de forma solitária. Estudos mostram que mais de 14% das emissões de dióxido de carbono no planeta vêm do setor de transporte. Além disso, grandes engarrafamentos já não são mais exclusividade apenas das grandes metrópoles.

A adaptação das cidades para o uso de bicicletas, com implantação de ciclovias e bicicletários, é apontada por especialistas como uma das soluções para os problemas ambientais e de tráfego. Em cidades europeias como Copenhague, na Dinamarca, mais de um terço da população vai ao trabalho pedalando. No Brasil, apenas 3,4% dos deslocamentos são feitos a pedal, segundo a pesquisa mais recente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), com dados de 2011.

Ciente dos gargalos do trânsito da região e dos atrasos e superlotações do transporte público em horários de pico, o publicitário Allyson Müller, de 36 anos, aceitou um desafio proposto pelo Grupo Liberal por causa do Dia Mundial Sem Carro, comemorado hoje, e fez durante a última semana seu caminho de casa ao trabalho utilizando uma bicicleta. Detalhe: ele mora em Nova Odessa e trabalha numa agência de publicidade de Americana.

[\img]O percurso de 9,3 quilômetros (ou 18,6 quilômetros considerando ida e volta) foi filmado durante quatro dias pela equipe multimídia do jornal e por uma câmera acoplada no capacete usado pelo publicitário. O vídeo completo pode ser visto no portal liberal.com.br. Müller ressalta que sempre teve o hábito de pedalar nos finais de semana e já estava acostumado a grandes distâncias, por isso não sentiu muitas dificuldades, apesar do longo trajeto.

As principais “pedras” em seu caminho foram, literalmente, os buracos em diversas ruas de Americana e principalmente na Avenida Doutor Eddy Freitas Crissiuma, perto da casa dele. Vias mal sinalizadas, como a Avenida Ampélio Gazzetta, em Nova Odessa, e o afunilamento de carros na ponte próxima ao trecho em obras da Rodovia Luiz de Queiroz (SP-304) e nas ruas Dom Pedro e Hermann Müller, em Americana, também foram problemas, principalmente pelo desrespeito de muitos motoristas. “Existe muito desrespeito, talvez porque os motoristas não estejam preparados para se comportar quando tem um ciclista na frente. As cidades também não têm sinalização adequada. À noite, quando volto do trabalho, é bem perigoso”, conta. (Colaboraram Talita Bristotti e Guilherme Magnin)

Avaliação médica é recomendada
O diretor da Faculdade de Educação Física da PUC-Campinas, Vágner Bérgamo, avaliou a experiência feita pelo publicitário como exemplar para o corpo, mas ressaltou algumas recomendações para quem deseja fazer o mesmo. “Antes de iniciar qualquer atividade física é importante procurar um médico e fazer um exame clínico completo. Mas é evidente que ir pedalando ao trabalho é uma atividade que vai facilitar no processo de desenvolvimento cardiovascular. A pessoa passa a ganhar uma condição física, respirar melhor, diminuir os batimentos do coração e já chega ao trabalho com a adrenalina estimulada, o que causa uma sensação de bem-estar muito positiva ao longo do tempo”, analisa Bérgamo.

No primeiro dia da experiência, o mau tempo também se tornou uma dificuldade para Allyson Müller. Uma insistente garoa que depois se transformou em chuva mostrou que pedalar também é se expor às diferentes condições climáticas. “Tem que ter força de vontade. A chuva atrapalha, mas o Sol também aumenta o cansaço. Minha sorte é que a minha mãe mora perto do escritório, aí consigo tomar um banho para não chegar ao trabalho suando”, afirma o publicitário, que no caminho de ida passa por nove ruas ou avenidas, cinco semáforos, e leva apenas cinco minutos a mais que um carro para chegar ao destino final – 25 minutos contra 20.

Se fizesse o caminho de ônibus, levaria 30 minutos só com o coletivo intermunicipal, sem contar o tempo de espera no abrigo e a caminhada até o destino ou o outro ônibus que teria que pegar em Americana.

Malha de ciclovias da RPT seria suficiente para ir de Americana a Hortolândia
A malha de ciclovias da RPT (Região do Polo Têxtil) atinge atualmente 27,2 quilômetros, quase que a distância entre Americana e Hortolândia. A maior parte – 17 quilômetros – está distribuída em Americana, que possui sete vias demarcadas para o tráfego de bicicletas. Especialistas alertam, no entanto, que na região o ideal seria quase o triplo da extensão.

Em outras duas cidades da RPT, alguns espaços urbanos foram adequados para o uso de bicicletas: em Hortolândia, nas avenidas Olívio Franceschini e Santana, além das áreas externas dos parques Chico Mendes e Irmã Dorothy Stang; e em Santa Bárbara d’Oeste, na Avenida João Ometto e na extensão da rua Alfeu Schimidt. Em Nova Odessa e Sumaré, estudos são feitos para avaliar a viabilidade de implantação de ciclovias.

Já os bicicletários, que funcionam como uma espécie de estacionamento das “magrelas”, só existem em Americana (dez no total) e em Hortolândia. O coordenador da ONG (Organização Não Governamental) “Pedala SBO”, Eduardo Alves do Vale, faz um alerta para quem utiliza os pedais para se locomover. “Uma coisa que é importante quando se está numa bicicleta é não esquecer nunca que este é um meio de transporte. Você não está a pé. Tem que respeitar todas leis de trânsito e fazer sinal com as mãos se for virar, como se estivesse num carro ou moto”, frisa o coordenador da ONG barbarense, que foi criada neste ano e já tem uma parceria com o grupo paulistano “Bike Anjo”, que é formado por ciclistas voluntários que orientam e incentivam pessoas que desejam começar a pedalar nas médias e grandes cidades.

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